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Resumen de ponencia
Extrema direita no Brasil: conversas com votantes do candidato Jair Bolsonaro

*Esther Solano Gallego



Este trabalho apresenta os resultados de entrevistas em profundidade na cidade de São Paulo e pesquisa em grupos de Whastaspp e Facebook de simpatizantes do pré-candidato Jair Messias Bolsonaro

Durante os útimos anos a esquerda brasileira pouco se preocupou em entender os significados e causas do aumento de popularidade do político de extrema direita, optando, na maioria das vezes, por ridiculizar, menosprezar e caricaturizar tanto ele como seus simpatizantes. Porém, no último ano, e com a eleição presidencial chegando, o cenário tem mudado. Todas as pesquisas de intenção de voto situam Bolsonaro como o segundo colocado dos presidenciáveis depois do ex-presidente Lula da Silva, cuja candidatura está seriamente ameaçada. Sem ser filiado a um partido importante e, portanto, com escaso tempo na propaganda eleitoral gratuita na TV e escasos fundos partidários para a eleição, a candidatura de Bolsonaro pode se deshidratar rapidamente ao longo de 2018, mas, o certo é que ninguém com uma mínima noção de política brasileira tem agora a ousadia de negar a importância do fenômeno Bolsonaro. Um candidato antidemocrata, autoritário que supõe um grande risco para a estabilidade da política brasileira, mas que é urgente entender.

O objetivo fundamental desde trabalho é analisar os motivos que definem a afinidade e o voto dos entrevistados, pertencentes aos mais diversos segmentos sociais, no candidato de extrema-direita que apresenta uma atitude antidemocrática e autoritária mas que nos últimos anos foi muito impulsionado pela sua habilidade nas redes sociais, expecialmente no Facebook, e sua apresentação pública como figura fora do mainstream político brasileiro ainda explorando um certo carater folclórico, "pop" desta nova direita que tem como um dos seus alvos principais o público jovem e adolescente

Dados off-line e online:
- Entrevistado W: homem, 24 anos, estudante universitário, nascido na Brasilândia, periferia de São Paulo. Entrevistado D: homem, 37 anos, soldado da Polícia Militar do Estado de São Paulo, nascido em Grajaú. Entrevistado E: homem, 32 anos, dono de um escritório de advocacia, pertencente a uma família de grande poder financeiro, nascido em Jundiaí
-Dinâmica de grupo com 40 alunos do terceiro ano e 20 do primeiro ano de uma escola pública estadual de São Miguel Paulista, periferia de São Paulo
-Grupo de Whatsapp de mulheres simpatizantes de Bolsonaro
-Páginas do Facebook que se definem como “gays de direita”: https://www.facebook.com/gaydedireitagaydireito/, https://www.facebook.com/gaydedireita/?ref=br_rs, https://www.facebook.com/GaysdDireita/,

Por último também se apresentarão os resultados da análise dos posts mais compartilhados do Facebook de Jair Bolsonaro durante os anos 2014-2017. O pré-candidato, com quase 5milhões de seguidores, é maior fenômeno político online brasileiro. A retórica do punitivismo (redução da maioridade penal, endurecimento de penas para criminosos, “direitos humanos para humanos direitos”), a exaltação do trabalho da polícia, a necessidade de uma educação fundamentada na autoridade, o antipetismo (“quadrilha de corruptos que defende marginais e não cidadãos de bem”) e a existência do vitimismo entre grupos feministas, negros, LGBTQI e bandidos, dominam os posts mais compartilhados do Facebook de Bolsonaro

Os principais motivos que explicam a simpatia no candidato e que aparecem como denominadores comuns nas entrevistas se resumem nos seguintes:

1)Punitivismo: “Mão dura é a única forma de resolver a violência no Brasil”, "Bandido bom é bandido morto"
2)Anticorrupção: “Ele é o único candidato honesto”
3)O candidato antisistema, politicamente incorreto: “Ele diz o que tem de ser dito”
4)As identidades subalternizadas votantes de Bolsonaro. Mulheres e LGBTQI o defenfem: “Nós somos mulheres e votamos nele. Ele não é nem machista nem homofóbico”
5)Bolsonaro, o voto rebelde, cool entre os jovens: “Ele é muito legal”
6)Vitimismo: “O Brasil é um país racista mas também tem muito mimimi entre os negros. Só reclamam"







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* Solano Gallego
Universidade Federal de São Paulo UNIFESP. São Paulo, Brasil