Resumo
O objetivo deste artigo é discutir as questões relativas a migração e os aspectos sociais, políticos e econômicos que fizeram de Parauapebas uma cidade de contratastes, entre a pobreza e o desenvolvimento. Cidade localizada no sudeste do estado do Pará, que sofreu mudanças significativas ao longo de 50 anos, desde a descoberta de ferro e manganês na Serra dos Carajás, atraindo altos investimentos do capital estrangeiro. Mostrar-se-á que as transformações foram resultado de um projeto político e econômico, em particular, pensado em transformar a Amazônia em uma territorialidade de acumulação do capital, o que a inseriu em uma modernidade inacabada, tendo à frente as elites econômicas do Brasil e mundial, apoiadas pelas elites regionais. Parauapebas transformou-se em centro de atração de força de trabalho, com processo de migração desordenado, aumentando as demandas sociais; afetando a sociabilidade dos migrantes e que transformou o ambiente de predomínio rural em urbano. Estas transformações ocasionaram mudanças profundas no cotidiano dos migrantes, “atravessados” pela exclusão, obrigados a se incluírem socialmente nos trabalhos precários.
A busca para definir e fundamentar o estudo relativo à problemática da migração e a sociabilidade da força de trabalho para Parauapebas nos ocupou, sobretudo, para a necessidade da escolha do território da pesquisa e a sua importância política e econômica para a região do Sul do Pará e para o Brasil.
A razão da escolha da cidade de Parauapebas sustentou-se em quatro argumentos principais: primeiro, é em Parauapebas-PA que está instalado um dos principais projetos de mineração do Brasil, gerenciado por umas das maiores mineradoras do mundo, a Vale; segundo, por conta deste empreendimento, o município de Parauapebas teve crescimento econômico, de 2001 a 2010, que superou, por exemplo, até o orçamento da capital paraense, Belém; terceiro, em consequência do “crescimento econômico”, houve intenso fluxo migratório à cidade de Parauapebas que urbanizou-se com extrema rapidez. Ou seja, de um município de predomínio rural transformou-se em predomínio urbano, para os padrões amazônicos, mas com todas as mazelas econômicas, sociais e ambientais, características das cidades de larga desigualdades, comuns a todas as experiências de cidades de modernidade “inconclusa”; quarto, para Parauapebas migrou diferentes ordens de força de trabalho, entre estas, migrantes que não se adequavam as exigências profissionais da Vale, e as suas subsidiarias que exigiam em sua atividade principal força de trabalho “certificada”.
A maioria dos municípios de fronteira, no sul e sudeste paraense, já surge com caracte-rística que tem predomínio do urbano como estilo de vida no campo político, institucional, cultural e econômico, com rápido amadurecimento da expansão de capitais nas cidades de Marabá e Parauapebas, associadas às novas atividades econômicas voltadas para o mercado exterior (SOUZA, 2011). A construir o que conhecemos como “grandes projetos”.
Objetivamente o desenvolvimento dos núcleos urbanos no sudeste paraense estiveram, em grande medida, acompanhados de empreendimentos induzidos por grandes capitais, como a mineração, a indústria madeireira, a siderurgia e agropecuária - tendo como suporte decisivo o apoio do Estado, a estimular o processo migratório intensivo.
desses conflitos de sociabilidades, novas relações sociais emergem deste contexto, transformando paisagens, formando novas redes de convivências que estruturam a base de uma possível “nova” sociedade, dando continuidade ao processo constante do eterno e consistente refazer de homens e mulheres amazônidas. Parauapebas, portanto, é parte significativa, ou um dos produtos legítimos da metamorfose pela qual a Amazônia foi atravessada pelos inúmeros projetos de poder que se instalaram na política e na economia brasileira.
Neste sentido, para discutir o processo migratório para Parauapebas, demonstraremos, por meio de dados estatísticos, breve panorama econômico e social da cidade; seguida de análise da situação urbana, como predomínio “recente” de Parauapebas; e como a desterritorialização e a exclusão econômica e social atravessam a sociabilidade dos migrantes.