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Resumen de ponencia
O individualismo metodológico como entrave criativo para o exercício do pensamento crítico.

*Rachel Aguiar Estevam Do Carmo



O presente trabalho procura analisar os principais axiomas da teoria social crítica brasileira no intuito de questionar a sua validade conceitual e criativa. Analisaremos dois grandes grupos da referida teoria que possui uma significativa inserção no país: a Teoria Marxista da Dependência (TMD) e os estudos denominados pós-estruturalistas/ pós-modernos. A nossa intenção é identificar a influência da categoria do individualismo metodológico que impede o potencial para criar novos conceitos que procurem expressar a complexa realidade social que vivemos. Nesse sentido, analisaremos os referenciais teóricos dos dois grandes grupos supracitados como forma de identificar o limite conceitual descolado de sua base material. As consequências se tornam visíveis pela falta de correspondência com o real, levando a produção do conhecimento crítico no Brasil para o que chamamos de derrocada metafísica do conceito, no qual a crítica perde a sua função desmistificadora dos fenômenos sociais.
É relevante destacar que a análise dos dois grandes grupos possui distintas matrizes teóricas, nesse sentido, o nosso critério parte da relevância conceitual quanto a sua funcionalidade na compreensão do real. Utilizaremos as obras de Boaventura de Sousa Santos e Terry Shinn e da área da sociologia brasileira como Miriam Adelman, Eduardo Duque para refletir se a discussão sobre uma nova configuração da ordem social, caraterizada como pós-moderno, contempla as irrupções fenomênicas do real. Já nos estudos da TMD serão levados em conta as recentes pesquisas do Jaime Osório, Mathias Luce que trata da atualidade dos estudos dependentistas, já que a Escola da Dependência exerceu um papel fundamental nos anos de 1960-1970 no pensamento social latino-americano.
Portanto, procuraremos analisar as pesquisas dos citados autores para indicar as possíveis presenças da categoria do individualismo metodológico na elaboração dos principais conceitos que fundamental os referidos grupos. Esperamos trazer uma discussão sem que haja o dualismo do certo/errado, mas da possível reflexão sobre como, nós pesquisadores, estamos analisando as metaformofoses da realidade social.
A TMD ao produzir atualmente linhas de compreensão da realidade acaba carecendo a realidade pela ausência de sua compreensão. A utilização da ideia de dependência transmutada para outro processo histórico subordina o conceito em prol da história, esta se tornando abstrata ao perder o lócus singular da existência humana.
Ao apresentarmos o questionamento da validade conceitual dos dois grupos citados como arcabouço que procura compreender a realidade social, procuramos instigar o debate para a construção de novas interpretações que procuram consubstanciar a radicalidade dialética.
É mister o exercício lógico em que o acerto e o erro não sejam antinomias narrativas, mas que explicitem a falência da modernidade como algo que insatisfaz as nossas necessidades vitais. As construções de uma forma de vida que transcenda o padrão social atual, se carregarmos resquícios da falência civilizatória atual, tende para o risco da reprodução reificada de práticas sociais que anularão a potencialidade criativa que o ser social carrega ao longo dos milhares de anos vivendo em sociedade.
A nossa referencia pode ser resumida na seguinte questão: se não há perspectiva de um novo ciclo de capital, se há uma derrocada avassaladora da taxa de lucro (Kurz, 1997), se o dinheiro perde a sua substância – trabalho – se a base do capitalismo é eminentemente financeira (Brenner 2003), se há crise dos Estado-Nacionais (Menegat, 2003), se a noção de guerra mundial vem se trasmutando para uma nova forma de urbanismo militar em que os conflitos de baixa intensidade definem a forma de convivência social nas cidades (Graham, 2016), como os estudos dos referidos grupos podem nos ajudar a compreender um ciclo produtivo que devaneia ao som de seus parcos suspiros?
Acreditamos que as reflexões sirvam para pensarmos na reafirmação ou desconstrução de nossas ideias, além de poder socializar com o nosso continente o atual cenário da pesquisa crítica brasileira.




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* Aguiar Estevam Do Carmo
Programa de Pós-Graduação em Educação . Faculdade de Educação. Universidade Federal Fluminense - ESE/UFF. Niterói – RJ , Brasil