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Resumen de ponencia
De vítimas a feministas: mulheres da América Latina e sua luta por igualdade.

*Maria Sara De Lima Dias
*Paula Caldas Brognoli



Em toda a sociedade científica o objetivo das teorias e dos métodos é investigar com profundidade parcelas da realidade, no entanto aspectos da realidade do fenômeno da violência relativos ao gênero foram excluídos de como objetos de pesquisa. Só recentemente os estudos sobre a violência veem se debruçando sobre a temática do gênero. Dentro deste contexto a maior parte dos estudos relativos à violência analisou-se que as mulheres com frequência são as vítimas, principalmente em função das razões alegadas pela constituição de uma sociedade machista e patriarcal. As descobertas no domínio técnico-científico sobre o gênero modificam o alcance e a função do papel da mulher em nossa sociedade. Dessa maneira a noção do que é ser mulher e o que é ser vítima de violência se alteram diante de um movimento de lutas sociais, de pesquisas e produção de conhecimento sobre a temática. Pode-se considerar que definir e conceituar a violência são um grande desafio para as ciências sociais uma vez que os significados associados ao termo são construídos socialmente e estão sujeitos a julgamento moral, histórico e cultural de cada época vivenciada. Nossa hipótese é de que a violência é o resultado de interações de diferentes fatores sociais, culturais e históricos e que pode se manifestar em diferentes níveis de complexidade. Para definir de modo geral como as mulheres feministas veem o fenômeno da violência se realizou uma pesquisa que teve curso durante 14° Encuentro Feminista Latino Americano y del Caribe em Montevideo-Uruguai. Se justifica a pesquisa durante o encontro das feministas latino-americanas tendo em vista que o evento que reuniu cerca de 2000 mulheres em Montevidéu no Uruguai no ano de 2017. Assim julgamos que o evento possibilitaria contribuir com uma visão das mulheres que foram vítimas de violência. Deste modo pretendeu-se mapear o fenômeno da violência e pesquisar os relatos destas mulheres questionando se já foram vítimas de algum tipo de violência. Cumpre destacar que os conceitos de violência, assédio ou preconceito, na perspectiva histórico cultural, são produtos de uma determinada sociedade e cultura machista e patriarcal, por vezes são conceitos híbridos que se mesclam em complexas representações subjetivas. Como método de pesquisa se compreende que a mediação técnica nunca é alheia ao sujeito observador e nem ao objeto observado, assim a técnica empregada mescla os dados quanti e qualitativos recolhidos que foram aplicados durante o evento. Criou-se como instrumento de pesquisa um questionário com questões abertas e fechadas envolvendo a temática do preconceito, assédio e violência tal instrumento foi traduzido do português, para o espanhol e inglês e foi disponibilizado entre os dias 23 e 25 de novembro para as participantes do encontro. Como procedimento de análise dos dados se utilizou da análise de conteúdo que tem por finalidade uma descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto na resposta das participantes. Resultou em 190 questionários respondidos voluntariamente pelas participantes no encontro. Quando questionadas sobre se já foram vítimas,160 mulheres disseram ter sido vítimas de preconceito,156 sofreram assédio e 152 mulheres descreveram ter sofrido algum tipo de violência. São mulheres de diversos países, como Argentina, Uruguai, Brasil, Peru, Equador, México, Suécia, Guatemala, Nicarágua, Estados Unidos, Bolívia, Cuba, Chile, Colômbia, Porto Rico, Paraguai, República Dominicana, Panamá, El Salvador. A média da idade das participantes foi de 37 anos. Na análise das questões abertas emergiram as seguintes categorias: assédio moral, assédio sexual, violência física, psicológica e os diferentes tipos de preconceitos ligados ao gênero. Quanto ao lugar em que ocorreram estes fenômenos os espaços mais relatados pelas mulheres são expressos em diferentes ambientes foram vitimadas principalmente na rua, no ambiente de trabalho, em meios de transporte, na escola, na universidade e na praia. A produção social da violência é objetivada tanto entre lugares e instituições públicas quanto privadas implica em uma ampliação da representação sobre a violência ainda que se configure e manifeste como diferentes graus e intensidades, apreende-se neste estudo uma identidade comum entre as mulheres que é o sentimento de vitimização. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) se define a violência como o uso de força física ou poder, em ameaça ou na prática, contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação. A definição dada pela OMS associa intencionalidade com a realização do ato, independentemente do resultado produzido. Em seus relatos as mulheres descreveram seus sentimentos, suas vivências e como o agressor causou danos, tanto físicos como psicológicos, o que muda a história dessas mulheres para toda a vida. E são essas mesmas mulheres, vítimas, que fazem do seu passado um presente de lutas definidas em múltiplas vozes, que permitem o fortalecendo do movimento feminista. A violência afeta mulheres de todas as classes sociais, etnias, e por todo o mundo. Sendo compreendida como um fenômeno estrutural e de responsabilidade da sociedade. Outras formas de manifestação da violência, podem ser compreendidas como o assédio e o preconceito. O assédio significa repetidas ações de desqualificação, desclassificação, menosprezo da mulher, e o preconceito que é um sentimento hostil, de intolerância e comportamentos humilhantes. As mulheres da América Latina se unem em sua diversidade afirmando processos e ações onde o pensar, elaborar, executar permite construir espaços de reflexão, como o Encontro feminista ocorrido no Uruguai, lugar em que se constroem sentidos e significados sobre o que pode ser ou não considerado como um ato violento sobre a base de um conjunto das memórias vivenciadas e se demonstra a presença da violência, do assédio e do preconceito tanto em instituições públicas quanto privadas que retratam o cotidiano da violência sofrida por diferentes mulheres na América Latina.






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* Lima Dias
Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba, Brasil

* Caldas Brognoli
Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba, Brasil