Desde abril de 2015, vivemos no Brasil sob o mando de um governo federal ilegítimo que atua para favorecer o mercado financeiro na sua ânsia de lucrar cada vez mais.O Brasil das contradições sociais, da alta concentração de renda e fruto de séculos de exclusão, onde as elites econômicas e políticas sempre atuaram para destituir o povo de direitos. A Educação, desde a sua negação pela sua não oferta nos 50 primeiros anos do Brasil-colônia, passando por mais de 200 anos de educação religiosa e privada, nunca logrou nos mais de 200 anos do Brasil República, assegurar este direito à maioria da população.
Após sucessivos governos de direita, já no período democrático, pós regime de exceção e ditadura militar (1964-1985), somente a partir de 2003, com eleição do Presidente Lula por dois mandatos e a eleição da Presidente Dilma, primeira mulher a presidir o Brasil, é que logramos lançar as bases para assegurar o acesso ao Direito à Educação para todos os segmentos da população. Esses governos representaram o início de políticas que pensavam a educação de forma sistêmica, considerando da educação infantil até a pós-graduação, incluindo a Educação de Jovens e Adultos. Também esse período foi marcado pelo diálogo como os movimentos sociais, sindicais, com atendimento de algumas de suas reivindicações. No campo educacional, o governo instituiu as Conferências Nacionais de Educação (CONAE) e, posteriormente, o Fórum Nacional de Educação, formado por entidades sindicais, acadêmicas e representantes do poder público. O Fórum foi concebido como espaço de estado para pensar e avaliação a Política Nacional de Educação, através da Conferência a ser realizada em 2018. Assim, as CONAEs teriam periodicidade quadrienal, tendo ocorrido em 2010 e 2014. A CONAE de 2010 produziu o documento que serviu de base para o Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2011, pelo Congresso Nacional, enquanto lei. As Conferências Nacionais de Educação foram espaços de proposições, de luta e de conquista do PNE como política de Estado de Educação. Assim, estava prevista uma nova Conferência para 2018 que seria coordenada pelo Fórum. Ela tinha como intuito avaliar a implementação do PNE. Nesse ínterim, em 2016, sobreveio o golpe político-jurídico-paralamentar-empresarial e midiático. Este foi fruto da retomada do conservadorismo e da visão de direita, como está patente no documento do PMDB, chamado de Ponte para o Futuro. O governo golpista é marcado pelo retorno de governantes fortemente apoiados pelo capital financeiro e que hoje disputam os recursos públicos da educação, com uma visão privatista. Nesse sentido, o governo golpista interviu no Fórum Nacional de Educação, desestruturando seu trabalho e desrespeitando sua legitimidade. Reagindo a mais este golpe, a CNTE (Confederação Nacional do Trabalhadores em Educação) e mais 30 entidades da sociedade civil tomaram a decisão de romper com aquela constituição do Fórum proposta pelos golpistas e constituir o FNPE – Fórum Nacional Popular de Educação e realizar um processo de Conferência Nacional Popular de Educação – CONAPE, como espaço de resistência e denúncia do desmonte da educação nacional.
Assim, no entendimento de que a luta por uma educação pública universal, laica, inclusiva, gratuita, socialmente referenciada e de qualidade, desde a primeira infância até a pós-graduação, é fundamental para a construção de uma outra realidade, menos injusta e mais solidária, é que esse coletivo está desenvolvendo por todo o país as conferências municipais, intermunicipais, regionais e estaduais de educação As conferências tem se tornado espaço para aglutinação dos defensores do direito à educação pública em um contexto de ataque e diminuição dos direitos sociais. Por essa razão, a CONAPE tem ganhando uma importância enquanto instrumento de luta política. A CONAPE, etapa nacional será realizada no período de 24 a 26 maio de 2018, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Em novembro, quando acontecerá o Fórum do CLACSO, será possível apresentar esse processo e os seus principais ressultados.