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Resumen de ponencia
Processos migratórios e plataformas digitais: dinâmicas de mobilidade estudantil na Universidade Federal de Sergipe

*Maria Luziara Nascimento



A presente interlocução faz parte de uma pesquisa de mestrado em andamento e tem como objetivo discutir as diferentes dinâmicas de fluxos de migração estudantil na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Com a adesão das universidades públicas ao Programa de Restruturação das Universidades Federais (Reuni), uso da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), as instituições de ensino superior público passaram a receber em maior número estudantes oriundos de outros estados como aponta os trabalhos de (LI, 2016 e COLLARES, GOELLNER, 2017). Assim, a pesquisa se propõe analisar, entre 2007 e 2017, as dinâmicas de mobilidade antes e posteriormente a adesão da UFS ao Reuni no ano de 2007, uso da nota do Enem no ano de 2013 e em 2014 ao Sisu. Tais programas, Reuni, Enem e Sisu, o primeiro fomenta a expansão universitária e contribui para ampliação de vagas no ensino superior e os dois últimos unificam o sistema de vestibulares dentro do território nacional. Assim, o aluno pode prestar o Enem em qualquer localidade do território nacional e escolher a universidade que deseja estudar a partir da plataforma virtual Sisu, sem precisar se deslocar da cidade de origem para prestar o exame vestibular. A partir desses programas podemos pensar que eles contribuem na formação de rotas migratórios relacionadas a formação de estudantes em cursos superiores entre estados e regiões diferentes do Brasil, havendo assim uma relação direta entre um novo contexto de migração interna a partir desses programas educacionais para o ensino superior. A partir disso, pensamos como as políticas e programas educacionais produziram um contexto migratório. Por conseguinte, as variáveis entorno do estudo são: 1) as reformas no ensino superior público intensificaram um contexto de migrações; 2) as políticas para o ensino superior seguem uma tendência gerada a partir do processo de globalização; 3) e as rotas migratórias são estabelecidas por quais grupos sociais. Com isso, buscamos investigar o processo de mudança no ingresso de estudantes nas Universidades Federais devido ao contexto das migrações, e quem são esses sujeitos nesse espaço de ensino. As ferramentas metodológicas adotadas foram a analise estatísticas dos dados através do software Excel, que ajudaram a compor as dinâmicas das migrações estudantis na UFS, outra ferramenta adota foi a análise de conteúdo que auxiliaram na compreensão de como foram estabelecidos os programas educacionais, e o discurso em torno da necessidade de o sistema de ensino superior estar vinculado a demandas globais. O processo de globalização se alinha com elementos diversos, a mobilidade é um desses elementos, pois as inter-relações proporcionadas a partir de um conjunto de políticas estabelecidas a nível nacional, no caso do Brasil, é um elemento que colabora com os fluxos migratórios. A tecnologia da informação tem sido um fator importante nesse processo de globalização, no âmbito da educação superior percebemos como as redes de comunicação foram determinantes para a construção de um novo modelo de ingresso nas universidades federais, se em outros momentos os vestibulares tradicionais apesar de fazer uso da informática para suas inscrições, limitava os estudantes devido ao distanciamento entre as regiões para a realização das provas. Com o Sisu, que possui uma plataforma unificada e não requer deslocamento dos interessados para fazerem as provas, já que fizeram a prova do Enem em suas respectivas localidades, percebemos um movimento diferenciado, pois esse possibilita a mobilidade a partir da aprovação do candidato. Nesse sentido, essa mobilidade estudantil se incorpora ao processo global, pois sua ocorrência faz parte do que foi desenvolvido a partir dessa mundialização, que segundo Giddens “...a globalização não é um processo simples, é uma rede complexa de processo”. (Giddens, 2000, p.24, 2000. Um exemplo dessas complexas redes que se estabelecem no processo global, e no caso brasileiro da mobilidade estudantil, é o Reuni, ao ser lançado tinha como objetivo expandir e reestruturar as universidades, ofertar mais vagas nos cursos de graduação, e estabelecer estratégias para a permanência dos alunos. Ao lado dessas estratégias, o programa ressalta a mobilidade estudantil como um elemento necessário para a sua efetivação. Com o auxílio e a inserção da plataforma online Sisu para concorrer uma vaga nas universidades públicas, desempenhou um outro formato de mobilidade, o qual os estudantes migram antes mesmo de fazer o deslocamento territorial, ou como coloca Bauman, 1999, os deslocamentos físicos. As formas do que compreendemos como migração, ganham novos significados a partir da utilização da rede mundial de computadores, ou seja, antes mesmo da realização da migração de estudantes, há um movimento de saída (de um local para ou outro), através de plataformas online que proporciona um deslocamento com objetivos já direcionados para os estudos. Portanto esse artigo vai discutir como o campo das migrações e as políticas públicas da educação superior fomentaram a mobilidade de estudantes no território nacional e proporcionaram novas formas de pensar os deslocamentos humanos, assim como, compreender as dinâmicas migratórios estabelecidas pelos estudantes que ingressaram na UFS.





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* Nascimento
Universidade Federal de Sergipe UFS. São Crisóvão, Brasil