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Resumen de ponencia
Modernização do campo brasileiro: desenvolvimento para quem?

*Leonardo Lins Dos Santos Paulino



O desenvolvimento da área rural brasileira, em sua gênese, mostra-se visivelmente ostensível suas contradições, desde o seu nascimento ideológico e que segue perpassando pelas diversas etapas até sua práxis. A associação deste desenvolvimento à sociedade colonial brasileira abraça inúmeras formas de pensamento sobre o território, onde são – e talvez o principal de todos – evidenciadas inúmeras interpretações entre o que seria a propriedade privada, propriedade do Estado e as propriedades de diversos sujeitos sociais, sendo o último, objeto de cobiça do grande capital, afinal, o território se constitui como objeto concreto e abstrato de poder.
A modernização rural no Brasil traz consigo a ideia de uma adoção de novas práticas modernas no que tange a nova forma de uso dos espaços tidos como inutilizáveis e sem vida, o que reforça a necessidade de se ocupar e desenvolve-los. Em todo o seu discurso de modernidade, a elite pensadora, conservadora e econômica tem seu principal propósito regulador suas bases oligárquicas que buscam formas de estabelecer seus interesses, disfarçados de desenvolvimento para a nação.
No século XIX procurava-se enaltecer o progresso, afirmando que este era a forma mais concreta e objetiva que possibilitava a solução para as pendências sociais, desenvolvendo a civilização humana, o que no fim do século XX diluiu-se em uma necessidade de tecnologia como principal feito na construção do que chamam de modernidade e, com o intenso investimento neste ramo, se propagou até no discurso de pós-modernidade.
Demanda por tecnologia necessária para o aumento da produção e reprodução do capital, novamente enaltecido por intelectuais e forças de poder à época, tornam o Estado o principal parceiro nesses encaminhamentos. O Estado aparece no financiamento para fomentação de órgãos de pesquisa voltados para realização de estudos que validam esses discursos, sejam por parte das manipulações genéticas, quanto nos discursos filosóficos e sociológicos desta prática destrutiva, colonial e excludente de super acumulação de capital.
Esta década nos evidencia a materialização marcada pela concretização dessa política de desenvolvimento territorial-econômico-político, onde o que se visa neste estágio a privatização da natureza como um recurso precioso e altamente rentável.
As consequências desta modernização – sobretudo conservadora – além de visarem a esfera econômica necessária para o bem nacional, também desenvolvem o que, na concepção de diversos autores, a exclusão social provinda do não acesso às benesses deste modo de ação e retorno desse desenvolvimento defendido pelas oligarquias modernas e apoiadas pelo Estado.
As discussões em torno da agricultura, em muitos casos, não contêm o debate à cerca da externalidade das relações sociais do campo como um todo. Essa adoção, sujeitada no não acompanhamento do que se referem ao pensamento social e/ou relações sociais existentes, não leva em consideração quando se pensa nas implementações de políticas de desenvolvimento local e regional. Pensar em formas que possibilitem o aumento da acumulação de capital, intimamente, pode nos referenciar a melhorias estruturais, de qualidade de vida, até mesmo com as conformidades territoriais. Mas, de acordo com a nova ideia econômico-político de gestão de Estado e Sociedade atravessado nos referenciais do conservadorismo brasileiro, o neoliberalismo global que nesse viés proposto na literatura prega o uso da terra (e em plena expansão a natureza) como mercadoria, onde as relações de uso obedecem a uma convicção de que os recursos disponíveis devem ser comercializados para sustentar necessidades humanas previamente construídas. “O desenho da perspectiva agrária brasileira não se mostra concreta, fixa. Este mostra em toda a sua trajetória o quão é destinado às imensas e imensuráveis contradições no seu desenvolvimento” (PAULINO, 2017).
O que se propõe como análise do estado da arte, são as formas adotadas pelos desenvolvimentistas na construção e reconstrução do território brasileiro, assim como suas principais implicações, tanto de ordem social quanto de ordem conceitual, adotando o referencial de análise de literatura específica que dialogue com a temática.




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* Paulino
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO UFPE. RECIFE, Brasil