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Resumen de ponencia
Desconcentração produtiva e crise na Indústria de Construção Naval Brasileira no século XX: determinantes e perspectivas

*Claudiana Guedes De Jesus



O objetivo desse estudo foi analisar o processo de desconcentração produtiva na indústria de construção naval no brasileira, nos quinze primeiros anos do século XXI, destacando a perda da participação do estado do Rio de Janeiro nesse processo. Historicamente, os principais estaleiros nacionais estavam fortemente concentrados geograficamente nesse supracitado estado, após o período denominado de reativação/retomada da indústria na virada do século as políticas direcionaram para uma desconcentração, abrindo novos estaleiros em polos regionais pelo país.
Contudo, uma nova configuração territorial mudou a identidade da indústria naval brasileira, destacamos alguns novos polos implementados para além do estado do Rio de Janeiro, os polos de Pernambuco/PE, especialmente na área industrial do porto de Suape, município de Ipojuca, Pólo do Rio Grande do Sul/RS, Pólo de Santa Catarina/SC, além dos Polos da Bahia (BA) e Espírito Santo/ES. A presença estatal através de políticas e incentivos foram preponderantes para esse processo.
A indústria de construção naval, em todo o mundo, possui características que merecem destaque para melhor entendimento de seu funcionamento e especificidades locacionais. É considerada estratégica e produz bens de altíssimo valor agregado e ocupa um grandes contingentes de mão-de-obra e de vastos recursos financeiros. O apoio governamental é fundamental e necessário para sua manutenção, considerando a complexidade do seu processo produtivo e o alto risco, além do fato de ser fornecedora de bens de capital com característica fundamental de seu processo produtivo, o funcionamento sob encomendas. Além disso, sua cadeia produtiva é longa, fazendo com que essas encomendas tenham um tempo elevado de produção.
A indústria naval, tanto em termos internacionais, quanto nacionais, é sempre concentrada geograficamente em determinadas regiões. Atualmente, mais de oitenta por cento da produção mundial em três asiáticos Coréia do Sul, China e Japão. No caso brasileiro, não é diferente, desde a década de 1960, quando essa indústria naval de grande porte se estruturou no país, manteve concentrada, com mais de oitenta por cento da produção no estado do Rio de Janeiro, além da maioria das plantas produtivas e do volume de emprego. Somente no início desse século, com a retomada/reativação das atividades fomentada por políticas direcionadas ao setor no contexto de descoberta do petróleo da camada do pré-sal a indústria inicia um processo de desconcentração, com novas plantas produtivas para além do Sudeste do país.
Alguns tópicos de análise desse trabalho, no primeiro tópico de análise da dinâmica da indústria de construção naval no mundo e no Brasil, com destaque para a característica de aglomeração em sua indústria. Logo em seguida, analisamos a desconcentração ocorrida da indústria de construção naval brasileira no início desse século, muito em decorrência das políticas setoriais. Em destaque, novos polos navais com estaleiros sendo implantados em regiões, até então sem a cultura da indústria naval. No terceiro e último capítulo, uma descrição analítica da atual situação de crise da indústria naval brasileira, iniciada em 2014, mas com resultados já observados na diminuição nos indicadores do setor.
Um novo cenário de crise na indústria de construção naval se inicia no pós-ano 2014 e tem como cerne a crise pela qual vem passando a Petrobras, principal demandante dos serviços dos estaleiros brasileiros. Essa crise decorre tanto da queda nos preços internacionais do Petróleo, como da Operação Lava Jato, que atingiu diretamente a Trasnpetro e a Sete Brasil (empresa criada para intermediar a construção de sondas do pré-sal). As mudanças repentinas no governo federal junto com a descontinuidade de muito das políticas setoriais marcaram o início de nova crise na indústria de construcao naval brasileira.
A base metodológico para esse artigo foi a pesquisa qualitativa estrutura a partir de revisão de literatura, informações da indústria em instituições oficiais como Sindicato Nacional da Indústria de Construção Naval e Offshore – SINAVAL, dados históricos da indústria naval elaborados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Construção Naval e Offshore – SINAVAL. Além de dados secundários, especialmente sobre emprego na Relação Anual de Informações Sociais base estatística do Ministério do Emprego e Trabalho – RAIS/MTE.





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* Guedes De Jesus
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ. Nova Iguaçu, Brasil