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Resumen de ponencia
Anonymous Br4sil: as máscaras dos movimentos conservadores no Brasil

*Silvana De Sousa Pinho



Nesta segunda década do século XXI, vivencia-se no Brasil um momento histórico, denominado de “Golpe de 2016”, referindo-se aos artifícios políticos e jurídicos ocorridos no processo de derrubada da presidenta do Brasil, Dilma Rousself, seguido de ações políticas de perda de direitos e de conquistas sociais. A deflagração deste processo teve a participação de diversas instituições brasileiras, desde o Congresso Nacional (deputados e senadores), STF, Polícia Federal e as mobilizações de rua promovidos por movimentos de direita, associações de comerciantes e industriais (FIEC).
Esta comunicação versa especificamente de um grupo da Rede de Protestos Anonymous internacional, que fez parte deste processo em favor do referido Golpe, seja com ações ciberativistas online e ou ativismo offline, a exemplo de manifestações de rua, com destaque para as Manifestações de junho de 2013 e os protestos contra a Copa de 2014.
O ideário Anonymous é caracterizado por uma forma de luta política que objetiva alcançar a emancipação humana por meio da hiperdemocracia, tecnocracia, total liberdade de expressão, informação e comunicação. O processo de conquista deste ideário se daria pela prática de novos modelos de mobilizações sociais, ou seja, por um processo educativo autônomo, autovigilante, anônimo, que se desenvolveria num movimento horizontal, sem lideranças, sem interferências de partidos políticos e sem ideologias.
Tratarei especificamente da célula Anonymous Br4sil por entender que o ciberativismo praticado nessa célula, ao contrário do que apresentava o ideário Anonymous, de pretensa neutralidade política-ideológica e partidária, se caracterizou por práticas conservadoras de direita, tendo utilizado da máscara, símbolo originário de anonimato e proteção contra perseguição, como uma forma de apropriação de discursos e denúncias de interesse público, mas com o objetivo específico de desestabilizar o governo federal no país.
Este recorte temático é parte da pesquisa realizada durante o doutorado em sociologia, defendido em janeiro de 2016, portanto, antes da conflagração do referido Golpe. Porém, a hipótese do trabalho apontava para um processo que se encaminhava para um Golpe de Estado.
Quando selecionei como sujeitos de pesquisa a Rede de Protestos Anonymous, desconfiava dos movimentos que utilizavam máscaras para protestar ou defender causas sociais, o que contrastava com os tradicionais movimentos de esquerda, que no Brasil sempre expressaram com clareza sua posição política-ideológica, ao contrário dos grupos de direita que se manifestavam amputados de posição política-ideológica, ou seja, no Brasil, nenhum partido ou movimento de direita assumia-se como tal (alguns arriscavam se chamar de centro, centro-esquerda, mas nunca de direita). Portanto, tinha como hipótese de que a utilização simbólica da máscara Anonymous era uma apropriação fake, tendo como objetivo mascarar posições político-ideológicas, utilizando de um discurso social manipulador.
Contudo, verificou-se ao longo da pesquisa, que tal hipótese não se constituiu em generalização, de uma tendência homogênea nas diversas células estudadas. Observou-se que alguns grupos acreditaram e mantiveram-se fieis ao ideário Anonymous, que denominei de Anonymous históricos, apesar de muitos integrantes destas células desconhecerem o processo de formação desta Rede de protestos no Brasil, iniciado por financiadores e treinamentos internacional, CANVAS. De modo, que na medida em que o processo do Golpe se desenhava com mais clareza, muitas células históricas foram desativas ou passaram a denunciar as células que denominei de Anonymous fake.
Assim, nesta comunicação tratarei especificamente, da formação da Rede de Protestos Anonymous Brasil e da caracterização do Anonymous fake, Anonymous Br4asil, enquanto movimento que expressou posição político-ideológico da direita conservadora, destacando seus posicionamentos, bem como as críticas e denúncias apresentadas pelo Anonymous históricos.
Para fins deste estudo, a metodologia utilizada teve como referência a análise de discurso de Ducrot (1987). Para temas que permeiam o estudo, como o ciberespaço, hackerativismo, pós-modernidade e movimentos sociais, utilizou-se como base teórica as contribuições de Castells (2003), Lévy (1999), Melucci (1989), Tilly (1978), Vegh (2003), Harvey (2008), Santos (2000), (2002), Giddens (1991) e Beck (2000).





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* Pinho
Programa de Pós-Graduação em Sociologia - PPGS. Programa de Pós-Graduação Políticas Públicas. Universidade Estadual de Ceará - PPGS. Fortaleza, Brasil