Com o boom do capitalismo no início do século XX, marcado pelas inovações tecnológicas, como o surgimento dos automóveis, aviões, eletricidade, assim como novas formas de investimentos internacionais, houve um grande crescimento da economia de mercado, refletindo no crescimento da classe trabalhadora moderna, agora dependente de artefatos tecnológicos para viver e trabalhar. Com o fortalecimento dessa economia, vimos também uma mudança no conceito de técnica, se na Grécia antiga, a techné estava em total relação com a natureza, a técnica moderna passa a transgredir essa relação aos interesses do mercado e da ciência, e passa a ser relacionada à construção de um produto meramente artificial com a ajuda de ferramentas tecnológicas. Ou seja, de antemão a tecnologia traz conforto e rapidez diante de certas ações, é inegável hoje a possibilidade de termos acesso a notícias em tempo real em qualquer parte do mundo, de estar usando um artefato tecnológico para escrever este texto e até de estar amanhã em outro continente através de um transporte aéreo. O seu uso nos remete a uma realidade poucas vezes questionada de seus meios, já que os fins se subtendem que esteja associada à nossa satisfação e praticidade. Porém, como seu uso hoje está relacionada até a própria sobrevivência do ser humano, consequentemente gerou uma transformação do indivíduo com a produção e claro, com as relações sociais e de trabalho, inserindo outras pautas nessa relação, como o consumo excessivo dos artefatos tecnológicos causando um distanciamento e uma alienação entre o processo produtivo e o meio ambiente, como se os mesmos fossem inesgotáveis. Como a modernidade modifica a relação do ser humano com a natureza, a mesma passa a ser colocada a serviço do sujeito, esse caráter da técnica deve ser levado em consideração na medida em que altera outros modos de vida. As sociedades “primitivas”, por exemplo, como os povos indígenas no Brasil, são discriminados por serem incapazes de produzirem excedentes, já que se ocupam apenas em garantir o mínimo e necessário para sua sobrevivência, sendo discriminadas e denominadas como economia de subsistência, por conta de sua inferioridade tecnológica. Como se pode ver, a racionalidade técnica decorrente dos dois últimos séculos, com a consolidação de uma produção capitalista tem acarretado uma transformação na natureza, no sistema político e nas relações de trabalho. Essa relação já havia sido detectada por Marx ao afirmar que, a produção capitalista ao dar prioridade para adquirir o máximo de lucro possível direciona a uma forte exploração e alienação da força de trabalho, e consequentemente, à destruição da base da produção econômica, ou seja, a natureza. Se pensar na lógica mercantil, até mesmo o sistema agrícola enriqueceu uma grande parte da burguesia, através da exploração de recursos naturais. Portanto, em termos gerais, o processo de exploração não só se dá na classe operária, mas também dos usos de recursos naturais, tratando-os de maneira inesgotável. De acordo com Karl Marx, a produção capitalista acaba desequilibrando a relação do ser humano com a terra, para compreender melhor essa relação, pode-se usar o conceito de “fratura metabólica”, na qual, o sujeito e a natureza estariam fazendo parte de um mesmo metabolismo, porém, com a alienação produzida pela divisão e especificidade dos trabalhos, que distancia o ser de todo o processo de produção. Pode-se perceber que em grande parte, a degradação ambiental se inicia nas regiões ricas de ecossistemas naturais, sendo explorados pelos países mais industrializados, que retiram a matéria-prima e a mão de obra para manter o desenvolvimento do seu capital, ou seja, a relação de distanciamento era sempre mantida, e a natureza ia sendo definida apenas como objeto a serviço do ser humano, assim como a dominação de uma estrutura econômica mais rica sobre outra mais pobre e sem muitos “potenciais tecnológicos”. Essa será a discussão proposta aqui, com o intuito de mostrar que a alienação, a mais-valia, e a luta de classes repercute também na relação e na opressão com o meio ambiente, mostrando que os problemas ambientais estão também relacionados a um problema de ordem política e social.