Esta proposta apresenta a experiência do encontro com mulheres da comunidade quilombola de São José da Povoação na Ilha do Marajó/PA, região amazônica brasileira. Este contato se deu pelo trabalho da pesquisadora e cineasta Claudia Wer em um trabalho de cidadania cultural na região, focado em comunidades ribeirinhas. Tal vivência resultou na coleta de farto material inicial em vídeo para a proposta de realização de um longa-metragem, em fase de captação, nomeado por Ayabás - Mulheres Quilombolas Amazônicas, que abrangerá ainda outras 05 comunidades quilombolas autodeclaradas na Amazônia. Parte deste material, colhido entre janeiro de 2015 e setembro de 2017 e já analisado, será apresentado na CLACSO 2018.
AYABÁS – Rainhas. Termo IORUBÁ usado para designar rainhas e os Orixás femininos. Tomamos a licença para alinhar o termo e designar essas mulheres como as rainhas de suas comunidades quilombolas. Trata-se de um mergulho na vida dessas mulheres protagonistas de suas comunidades, no contexto da potência da floresta e das águas, em que as comunidades remanescentes de quilombos se organizam e buscam o domínio pleno de seus territórios e heranças culturais.
Com a captura de conteúdo inicial, a pesquisadora verificou a grandeza dessas mulheres como pilares de suas comunidades, baluartes de um patrimônio cultural que une o grupo ao seu passado e o define no presente não é um conteúdo necessariamente identificado pela comunidade, mas internalizado nas ações cotidianas, em seu modo de viver e compreender a vida, que inclui os desafios para sua própria sobrevivência, especialmente com o avanço da chegada de informações das cidades mais ricas do país, parece crescer entre eles o sentimento de que nada da terra é realmente bom ou bonito, por isso, um dos aspectos do trabalho está no fortalecimento da identidade e autoestima.
A luta contra o crime da escravidão dos negros no Brasil resultou, entre inúmeras outras heranças, na criação das populações quilombolas – refugiados do regime escravocrata que criaram diversas comunidades em todo o País, contudo a região amazônica impõe uma dificuldade adicional pelas próprias características e imponência de seu território.
O Brasil tem mais de 2,4 mil comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares. Elas estão espalhadas em 24 estados e se organizam de forma diferente. Na região amazônica a maioria vive da agricultura de subsistência, e são coletores, especialmente comunidades ribeirinhas. Ou seja, eles produzem na "roça" ou colhem da natureza praticamente tudo o que precisam. Muitas comunidades se autodeclaram quilombolas mas ainda não são certificadas, estima-se que mais de 200 processos de certificação ainda estão sendo analisados e mais de 500 comunidades foram identificadas pela fundação Palmares como quilombolas, mas não solicitaram a Certidão de Autodefinição.
Os indicadores socioeconômicos e culturais mostram que essa região teve historicamente, ausência ou baixa capilaridade das políticas públicas e de equipamentos coletivos de promoção e proteção social voltados ao desenvolvimento socioeconômico.
A ausência de infraestrutura e políticas públicas tem produzido problemas de ordens diversas, como doenças infecciosas, especialmente por desequilíbrio ambiental e de violação de direitos fundamentais especialmente em segmentos vulneráveis como crianças, adolescentes e mulheres.
As comunidades quilombolas existentes resistem para manter a sua cultura e tradições e as mulheres são protagonistas na sobrevivência dessas comunidades. Temas diversos foram capturados, como: o Modo de vida, Lendas e Mitos, Culinária, danças e outras tradições serão abordados mostrando o papel fundamental das mulheres para o fortalecimento e perpetuação do quilombo.
Assim, pretende-se nesta proposta contar a história dos quilombolas amazônicos sob a perspectiva das mulheres e assim contribuir para difundir e dar visibilidade para estes grupos e promover reflexão e discussão sobre a brasilidade de raízes afro-ameríndias e como construir um futuro mais seguro para essas populações, em especial, para as mulheres.
O link do teaser do filme está disponível em:
https://vimeo.com/266666512
Senha: argumento 2018