O presente texto tem por objetivo apresentar reflexões acerca das vivências das aulas do componente curricular de Laboratório de Pesquisa e Prática Pedagógica em Educação do Campo – Identidade Docente (LAPEC I). Este componente é ofertado no primeiro período do curso de Licenciatura em Educação do Campo no Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido da Universidade Federal de Campina Grande, localizado no munícipio de Sumé, cariri paraibano. No Brasil, a criação do curso de Licenciatura em Educação do Campo foi fruto das lutas de movimentos e coletivos sociais ligados às lutas pela terra, que compreendem a necessidade de pensar o latifúndio do saber como um território também em disputa. Pensar a formação de professores e professoras com uma identidade campesina é também lutar para que os modos de vida, os sujeitos e o território campesino sejam incorporados como lócus epistêmico, que produz conhecimento e produz vida. Nesse sentido, a organização curricular do curso em questão privilegia a construção das identidades dos/as docentes em formação atrelada a uma concepção mais rica de conhecimento e de vida (ARROYO, 2010), compreendendo que na relação entre universidade e comunidade se fecundam as lições indispensáveis à formação de professores/as comprometidos/as com as lutas sociais. Assim são pensados e praticados os quatro componentes curriculares de Laboratório de Pesquisa e Prática Pedagógica em Educação do Campo, promovendo a reflexão crítica acerca das vivências que articulam sujeitos, espaços e tempos pedagógicos para além dos já consolidados pelo modelo tradicional de formação de professores/as, ou seja, somente a academia, seus sujeitos e seus tempos. Tal postura se assenta na Pedagogia da Alternância, que compreende o processo formativo atrelado aos sujeitos e aos territórios que dão materialidade às teorias, mas, sobretudo, à vida. A alternância pedagógica passa a ser o eixo norteador destes componentes e é responsável por promover a articulação entre os pressupostos teóricos e as vivências práticas, num movimento reflexivo que visa a práxis na construção da identidade docente. Para este texto, apresentaremos as vivências promovidas pelo componente de LAPEC I, cuja ênfase é Identidade docente. O exercício aqui foi o de compreender, enquanto professora que ministra a disciplina, o movimento de descoberta dos estudantes recém ingressantes no curso ao se depararem com as peculiaridades da docência para a Educação do Campo. Cabe ressaltar ainda que a construção dessa identidade do/da professor/a do campo é permeada por um processo de compreensão do que é a Educação do Campo no Brasil e o porquê de termos uma licenciatura específica. Além de pensar a identidade docente o componente proporciona pensar os processos de negação do direito à educação como um dos elementos mais latentes da luta dos povos campesinos, logo, pensar-se enquanto educador/a do campo é também engajar-se numa luta por justiça social e esse processo precisa ser pensado junto aos sujeitos de direito. Assim, é importante destacar os objetivos que balizam a organização da disciplina. São eles: a) realizar pesquisa de campo, na busca de dados para a compreensão/reflexão e da trajetória docente das relações sociais (atentando para as questões relacionadas a diversidade e diferença) na escola e na formação docente nas Escolas de Educação Infantil e Salas Multisseriadas no Cariri Paraibano; b) discutir a importância da pesquisa na formação docente a partir das abordagens teórico-metodológicas do memorial, história oral e história de vida; e c) identificar e analisar criticamente os fazeres pedagógicos da Educação Infantil e salas multisseriadas através da das abordagens teórico-metodológicas do memorial, história oral e história de vida. É nesse movimento de compreensão das identidades docentes e das identidades coletivas que as aulas são realizadas em parte na universidade, mas também nas comunidades educativas campesinas, e este texto se propõe a relatar como essas vivências têm contribuído para pensar e fazer a formação docente a partir de uma cosmovisão que compreende a práxis como elemento fundante, social, política e culturalmente situada, rompendo com o binarismo tão marcante nas propostas de formação de professores/as ao longo dos anos no Brasil, que ora primou pela teoria (ênfase na racionalidade), ora pela prática (ênfase na técnica).