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Resumen de ponencia
Análise Crítica do Positivismo sob o viés da Escola de Frankfurt e da Interdisciplinaridade

*Bárbara Cristina Kruse
*Eliézer Almeida



O renascimento, ocorrido nos séculos XV e XVI, gradualmente renovou os ideais baseados nos dogmas da Igreja Católica. O estudo da natureza, da vida humana e cultural, baseou-se na experiência e na observação, passando assim, a ser fortemente influenciados pelos humanistas, os quais enalteceram o homem e a sua racionalidade (SCHIMIDT, 2001).
Por humanistas, destaca-se o racionalismo fortemente influenciado pelo pensamento de Renée Descartes (1596-1650), o qual cria o método cartesiano, partindo do ceticismo e da dúvida com caráter metódico, afim de deduzir o conhecimento verdadeiro. Deste modo, para o racionalismo a pesquisa da dúvida – metódica e construtiva -, aquela que analisa e investiga, é a única forma de extrair a verdade dos fatos (VIEIRA, 2013).
Juntamente com o racionalismo, a corrente iluminista se dissipa na Idade Moderna. Os denominados iluministas defendiam que "a luz da razão deveria triunfar sobre as trevas da ignorância, do fanatismo religioso, das superstições" (SCHIMIDT, 2001, p. 30). Este período passou a se denominar de "Século das Luzes" e com ele a ciência destacar-se em várias áreas, tais quais a astronomia, física, química, biologia e medicina. Vários autores se destacam neste período, como por exemplo Hobbes, Locke, Rousseau, Montesquieu e Voltaire.
Neste viés da racionalidade, uma corrente surge na França no início do século XIX e ainda até a contemporaneidade possui adeptos. Trata-se do positivismo, prelúdio por Augusto Comte (1789-1857), que analisa a sociedade como objeto possível para o conhecimento científico. Comte defende também, a necessidade de especialização das funções. A ciência, neste sentido, trespassa o pensamento de que as aplicações técnicas de leis científicas devem reorganizar e reger a sociedade (CASTRO & DIAS, 1992).
Não obstante, esta forma de ver o mundo e a sociedade tecnicamente e matematicamente, buscando uma verdade absoluta e positiva, foi alvo de muitas críticas posteriormente. O pensamento da Escola de Frankfurt é um exemplo daqueles que analisam o positivismo como inviabilizador da emancipação humana, dado que seus pensadores utilizam como método a dialética e a teoria crítica para embasar suas teorias (FREITAG, 1990).
Como resultado, Max Horkheimer (1895-1973) foi o primeiro a tematizar o conflito entre a dialética e o positivismo. Horkheimer criticou o cartesianismo de Renée Descartes, alegando que o mesmo tem caráter instrumental, conservador e sistêmico. Defendeu ainda, que o saber da tecnicidade acaba por alienar a razão e a ciência. Para este pensador frankfurtiano, a teoria crítica (aquela que se baseia nos pressupostos marxianos) possui postulado humanístico e emancipador. A razão emancipadora (aquela advinda da teoria crítica), portanto, seria o instrumento de libertação do homem (FREITAG, 1990).
Por teoria crítica, entende-se como aquele instrumento de análise da Escola de Frankfurt e fundamento de legitimação desta Escola, a qual se baseia na contraposição do modelo tradicional, cartesiano e aristotélico. A Teoria Crítica, portanto, reconfigura o marxismo como saber e seu método da luta de classes. Tal teoria, passa a ser utilizada analisando a sociedade a partir da década de 30 (OFFREDI, 2007).
Outro pensamento contemporâneo que critica o positivismo são os adeptos da teoria da interdisciplinaridade. Tal teoria defende que a ciência precisa ampliar perspectivas, pois chegamos a um grau surreal de especialistas para cada segmento social, entretanto o todo é indissociável, defendendo-se assim, a teoria dos sistemas, em que todas as coisas estão interligadas. Para Fritjof Capra (1993) chegamos a um ponto que existem especialistas para complicações na primeira falangeta do indicador da mão esquerda, porém se constatar que o problema estiver na falangeta do indicador mão direita, o paciente deverá procurar um especialista desta mão.
Em consonância, discorre Edgar Morin (2003) que é preciso acabar com a disjunção cartesiana de Descartes da ciência em sujeito versus objeto. Parte da ideia de que é necessário ampliar os pontos de vista sobre o mesmo objeto, comunicando diferentes disciplinas e com isso, instigando a produção de saberes híbridos. Defende que o pensamento deve ser complexo, pois somos seres humanos físicos, biológicos, sociais, culturais, psíquicos e espirituais, ao mesmo tempo, com identidades e diferenças nesses aspectos.
Sustenta Morin (2003 p. 177) que “A aspiração da complexidade tende para o conhecimento multidimensional. Ela não quer dar todas as informações sobre um fenômeno estudado, mas respeitar suas diversas dimensões”. Neste viés, Morin expõe a complexa relação entre o todo e as partes. O desafio, no entanto, consiste em lidar com a incerteza, com o erro, com o acaso e com a desordem. É preciso unir o singular e o local ao universal.
Verifica-se assim, que o positivismo baseado na tecnicidade da ciência e na especialização das funções encontra resistências na contemporaneidade. Isto porque, explicações dedutivas e de verdade absoluta não encontram mais base em um mundo líquido e pós-moderno (BAUMAN, 2009).
A dualidade sujeito e objeto análise da ciência tornar-se-iam insuficientes nos dias atuais. O sujeito possui múltiplas facetas assim como o objeto não pode mais ser olhado apenas sob uma perspectiva. Concorda-se com Morin (2003) que na ciência contemporânea é preciso produzir saberes híbridos e interdisciplinares, os quais vão muito aquém do pensamento positivista e estruturalista.

Referências:
BAUMAN, Zygmunt. Vida líquida. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. 210 p.
CAPRA, F. O Ponto de Mutação: a ciência, a sociedade e a cultura emergente. São Paulo: Cultrix, 1993.
CASTRO, Ana Maria; DIAS, Edmundo Fernandes (Org). Introdução ao Pensamento Sociológico. 9ª ed. São Paulo: Moraes, 1992.
FREITAG, Barbara. A teoria critica: ontem e hoje. 3.ed. São Paulo: Brasiliense, 1990. 184 p. Biblioteca da UEPG – Numero de Chamada 301.04 F866
OFFREDI, Julio Cesar Figueiredo. Uma proposta de democracia segundo Habermas: uma contribuição para concepção e análise do Direito. 2007. Rio de Janeiro. Disponível em: . Acesso em: 19 abr. 2018.
MORIN, E. Ciência com Consciência. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
SCHIMIDT, Mario. Nova História Crítica. São Paulo: Nova Geração, 2001.
VIEIRA, Ricardo da Silva. Três modelos de racionalismo. Revista Alpha, n. 14, nov. 2013, 163–174. Disponível em: < http://alpha.unipam.edu.br/documents/18125/174150/Três+modelos+de+racionalismo.pdf>. Acesso em 04 de jun de 2018.




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* Kruse
Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG. Ponta Grossa, Brasil

* Almeida
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR. Ponta Grossa, Brasil