Segundo o Censo 2010, último recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os jovens representavam um quarto da população, correspondendo a 51,3 milhões de jovens de 15 a 29 no Brasil.
Apesar de formarem uma camada importante e considerável do contingente total de habitantes do país, historicamente, poucas foram as iniciativas e politicas públicas que buscaram atender as demandas especificas da juventude, conforme explica Pais (1990), Dayrell (2007), e Novaes (2006).
Outros estudos também identificam dificuldades e desafios enfrentados pelos jovens no País, como demonstra a pesquisa Mapa da Violência. Segundo a pesquisa, em média, 100 a cada 1.000 jovens com idade entre 19 e 26 anos morreram de forma violenta no Brasil em 2012, além de cotidianamente se confrontarem com problemas na busca de emprego e de discursos negativos em torno da sua imagem.
Apesar desta realidade, é crescente o número de jovens que buscam vias alternativas para melhorar suas vidas, de suas comunidades e entorno. Um exemplo é a rede objeto deste estudo, “Desabafo Social” que reúne jovens de diferentes estados brasileiros, que buscam através de metodologias participativas, encontros, palestras, seminários e rodas de conversas, debater questões referentes aos direitos das crianças e adolescentes, dos contrastes políticos, racismo e a necessidade de uma educação de qualidade.
Percebe-se com o surgimento de grupos como o Desabafo, um novo formato de práticas para a mobilização e organização social, onde o jovem é um dos principais protagonista no processo de construção visando á transformação social. Desta maneira é fundamental dar relevância a contribuições que grupos juvenis podem prestar a sociedade.
Este trabalho é fruto da monografia apresentada ao Curso de Relações Públicas da Universidade do Estado da Bahia. O estudo constituiu uma análise para compreender as formas e os processos através dos quais a juventude que compõe a Rede Desabafo Social participa da vida pública, buscando descobrir possibilidades e motivações para efetiva participação cidadã. A metodologia com entrevistas semiestruturada e observação participante se mostrou bastante apropriada, pois possibilitou que chegássemos a considerações pertinentes e que poderá influenciar em debates sobre a temática.
A primeira delas é de que Grupos como Desabafo Social demonstram uma nova forma de participação, diferente daquelas vividas nos anos 70/80. Os depoimentos e observações nos deram subsidio para dizer que as motivações para a participação possui diferentes concepções, podendo estar ligado a vários aspectos, desde a oportunidade de ter voz, e se posicionar em espaços coletivos, aos aprendizados e vontade se fazer visto, até desejos individuais por mudanças de vidas e realidade.
A participação nessa realidade gera efeitos práticos (como o maior controle, a liberdade, os recursos ou as capacidades); simbólicos (como o reconhecimento por outros, a expressão de valores, o aumento do conhecimento); e também efeitos afetivos (como a solidariedade, a confiança, a autoestima), conforme esclarecido por Butler.
Nota-se, ainda, que ela se manifesta em formas diferentes, dependendo do contexto de vida ao qual o jovem está inserido. Além disso, esses protagonistas juvenis passam a transformar suas realidades com ações concretas nos espaços, tornando-se produtores de informações capazes de colaborar para a formação de capital social, rebatendo discursos prontos e hegemônicos, que dispõem sobre a condição juvenil. Através das ferramentas propiciadas pela rede, eles conseguiram ampliar o alcance dos seus posicionamentos e de suas ideias. Assim, ocasionando na mobilização de outros jovens.
O exemplo de participação cidadã vivida e desenvolvida pelo Desabafo demonstra que os jovens membros estão atentos ao seu papel enquanto cidadãos, sendo suas ações essenciais para que a democracia se faça presente na vida das pessoas e das comunidades dos quais eles têm contato.