Resumen de ponencia
Estudo de caso: superexploração mediante a introdução de tecnologia dentro da indústria têxtil
*Tábata Dellagostin Oliveira
Ruy Mauro Marini em seu trabalho, Dialética da dependência (1973), define superexploração do trabalho como o processo que ocorre na esfera produtiva, sendo um mecanismo utilizado pelo capitalista do país dependente para tentar suprir perdas geradas devido as transferências de valor e de mais valia, não havendo a necessidade de existir transferência de valor para que a mesma ocorra. Normalmente a superexploração está presente em fábricas por meio de alguns mecanismos, aumento da produtividade, prolongamento da jornada de trabalho, aumento da intensidade do trabalho e redução do consumo do trabalhador, podendo ser reforçada através da introdução de maquinário e tecnologias.
Fernando Henrique Cardoso, teórico que parte de uma corrente da dependência oposta da de Marini se opõem a esta teoria da superexploração e propõem em outra teoria que o desenvolvimento ande junto com a dependência através da implantação de maquinário e tecnologias, porém não observa a superexploração que está implantação pode causar. Este considera que o processo de internacionalização do capital juntamente com a implantação de multinacionais na América latina ocasiona a possibilidade da dependência andar em conjunto com o desenvolvimento, de tal maneira que o capital internacional contribua para o desenvolvimento nacional.
A partir da contraposição da ideia de ambos os teóricos o presente trabalho se propõem a analisar a superexploração do trabalho a partir da implantação de tecnologia na indústria têxtil, pelo estudo de caso de uma trabalhadora em uma indústria no interior do Rio grande do sul Brasil. A pesquisa de campo leva como base as mudanças ocorridas com a trabalhadora dentro da indústria durante o período de tempo que engloba o ano de 1989 até aproximadamente o ano de 2016, conectando fatores como salário, produção, exportação, mercado e demanda.
Ao longo do trabalho foram abordados pontos referentes às perguntas feitas para a trabalhadora e que são de fundamental importância para a análise desenvolvida, juntamente com o debate da teoria de Marini e Fernando Henrique. Foram abordados temas a respeito da jornada de trabalho, produção, salário, condições de trabalho, prolongamento da jornada, introdução de tecnologia, questões sobre a indústria, etc. As abordagens foram extremamente significativas para o resultado final do trabalho assim como possibilitaram outros leques de debate.
A trabalhadora iniciou sua vida laboral dentro da indústria em 1989 como costureira ganhando por peça de roupa feita, no decorrer dos anos passou por diversos setores dentro da indústria tendo um aumento pouco significativo em seu salário mas sempre com aumento em sua jornada de trabalho. Nos anos 2000 se introduz maquinário tecnológico dentro da indústria e se nota um aumento da produtividade e um aumento na necessidade de especialização dos trabalhadores para continuarem seu trabalho através do maquinário tecnológico.
A indústria até os anos 2000 exportava peças para países como Japão, Alemanha, Uruguai, essa exportação foi reflexo de um governo que á incentivava e não observava as problemáticas que surgiriam por meio desta. A partir dos anos 2000 a indústria passa a exportar para a China porém contrai uma dívida externa em peças que trouxe consequentemente problemáticas para a vida dos trabalhadores que passam a produzir mais para suprir a perda de valor do capitalista, consequência que acaba estando diretamente ligada a implantação da tecnologia na indústria.
Por meio deste estudo pode-se perceber que existe a superexploração no caso específico estudado e que com a introdução de tecnologia na indústria a superexploração só é reforçada como aclara Marini em sua teoria, através do aumento da produtividade, prolongamento da jornada, aumento da intensidade de trabalho e redução do consumo do trabalhador. Este estudo mostra também mais claramente como a teoria da internacionalização do capital de FHC oposta à de Marini apenas reforça a superexploração do trabalho através da implantação da tecnologia, teoria que o mesmo tenta pôr em pratica durante seu período presidencial (1995- 2003).