Resumen de ponencia
Expressões da questão indígena frente aos projetos econômicos e sociais emergentes
Grupo de Trabajo CLACSO: Indígenas y espacio urbano
*Heloísa Helena Corrêa Da Silva
RESUMO:
A comunicação que se inscreve é fruto da inquietação em investigar a trajetória da questão indígena, no Estado do Amazonas, Amazônia brasileira, Brasil, com ênfase na intervenção que os projetos econômicos e sociais realizaram nos modos de vida das nações indígenas. São mais de 500 anos do início do projeto português de colonização no Brasil. Na Amazônia brasileira o projeto de colonização dizimou povos e interferiu severamente nos processos socioculturais de centenas de outras nações que resistiram à dizimação. Embora o Brasil seja considerado um país democrático, atualmente, uma onda conservadora tem dominado as decisões políticas e econômicas do país pondo em riscos direitos conquistados pelas populações indígenas.Sobre a economia indígena Porro (2017) evidencia que a região da Amazônia diferente do litoral brasileiro, tinha um comércio indígena rico e diversificado, constituindo-se uma das poucas referências históricas de sociedades indígenas do Brasil com uma atividade econômica sistemática, especificamente as bacias do Solimões e rio Negro. Porro (2017, p. 126, apud DRUMOND, 1950, p. 100) assinala que em cada povoado encontrava-se casas cheias de pescado seco, levado a comércio pelo sertão e contratações com outros indígenas. Destaca também o comércio de cerâmicas de todos os tipos, além do cultivo de vegetais como o algodão que era levado para outras partes e províncias.No cenário atual as populações indígenas que tem em suas terras um legado ancestral vivenciam a precariedade de seus direitos ao verem suas terras usurpadas em benefício dos grandes projetos do capital monopolista: hidrelétricas, madeireiras, mineradoras, agronegócio. Mediante ao cenário de criminalização dos movimentos sociais das diferentes vertentes as reivindicações dos povos indígenas tem resistido e se organizado para preservar os direitos conquistados na constituição de 1988 e nas convenções internacionais entre as décadas de 1970, 1980 e 1990. A econômica indígena em seus princípios tradicionais difere do modelo capitalista de acumulação e lucro, possui caráter de economia solidária e por tanto vem sendo severamente atacada na fase atual do capital em expansão nas periferias mundiais. Roubar terras indígenas ancestrais é destruir modos de vida que resistem à integração econômica e social por que possuem formas próprias de viver em sociedade. Ao refletir o contexto atual das formas de vida das populações indígenas contemporâneas, nos faz necessário entender os aspectos históricos, sociais e econômicos que influenciaram em suas relações socioculturais produzidas nos ambientes das terras indígenas e nas cidades. A dinâmica de intervenção do estado brasileiro nos processos de produção e reprodução da vida dos povos indígenas ocorreu sob a forma de projetos de desarticulação da autonomia e autossuficiência de tais populações. Se outrora produziam em grande parte a maioria dos bens de consumo que precisavam para a reprodução de suas formas de vida em comunidade, com a intervenção do estado brasileiro a gestão dos territórios indígenas e suas formas de organização econômica e social foram sendo modificadas e alteradas e foi sendo introduzida uma política paternalista da tutela. Muito embora a força do capital em destruir formas de vida comunitárias seja intensa, as populações indígenas resistiram e conquistaram direitos para salvaguardar seus sistemas de conhecimentos ancestrais. Partindo do exposto, Wanderley (2004, p. 56) analisa que a questão social apresenta-se como uma aporia fundamental sobre a qual uma sociedade experimentou o enigma de sua coesão e tenta conjurar o risco de sua fratura. Ela é um desafio que interroga, põe em questão a capacidade de uma sociedade (o que em termos políticos se chama uma nação) de existir como um conjunto ligado por relações de interdependências. Corrêa da Silva (2012) analisa a luz do contexto amazônico a necessidade de considerar os processos histórico-estruturais da região no decorrer da sua formação social e econômica, envolvendo o tema indígena, ciclos de extrativismos formas de dependência em relação aos demais estados brasileiros e países centrais como caminhos para chegar às respostas sobre a realidade da questão social na realidade amazônica. De acordo com Potiguara (2004) o desenvolvimento para povos indígenas deve ser um processo que coaduna cultura tradicional e novas tecnologias e novas esperanças, cita como exemplo a experiência dos Kuna do Panamá que fazem com a maior categoria a união entre a tradição indígena aos novos conceitos de tecnologia e sua sociedade de informação, sem perder sua cosmovisão. Os Kuna são precursores da imprensa e literatura indígenas, assim como a maioria dos povos indígenas do México também o são. Povos indígenas devem se espelhar nestes modelos de desafio e desenvolvimento de novas tecnologias para que não destruam a biodiversidade e territorialidade indígenas. Mediante ao exposto, faz-se necessário que a resistência das formas de vida dos povos indígenas seja evidenciada em suas diversas formas. Por meio das investigações científicas devemos contribuir para o conhecimento dos modos de vida dos vários povos ancestrais e suas novas formas de resistir ao capital monopolista. Precisamos conhecer e aprender com os povos indígenas e seus sistemas de organização da economia, da cultura indígena, pois é um meio de entender que outro mundo é possível para além do capital. A resiliência dos povos ameríndios é emergente e necessária para a diversidade. Sendo assim, questionamos: Como os povos ameríndios vêm organizando e (re) elaborando a economia indígena na atualidade?