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Resumen de ponencia
GEOGRAFIA DE GÊNERO E GEOGRAFIA FEMINISTA: Uma questão de escolha epistemológica e visibilidade científica

*Isabelle Wermelinger Lemes Aguiar



O escopo primordial deste trabalho é apresentar um material conteudista sobre a geografia de gênero e a geografia feminista e como alvos secundários pretende-se traçar um recorte temporal sobre a chegada desses temas na ciência geográfica, a partir de um estudo apurado sobre os escritos de autoras e autores da geografia que propagaram tais literaturas, sendo o caso de Doree Massey, Joseli Maria da Silva, Marcio Ornat, entre outras/os. Conjuntamente, intenciona-se tornar explicito as muitas resistências na geografia, que por vezes tenta inibir a entrada desses temas na academia, atingindo negativamente a construção teórica e metodológica dos estudos sobre gênero, feminismos e sexualidade. Desta forma, será preciso contar com os relatos teóricos dos autores de gênero e feminismos da geografia, que apontam em suas analises percepções sobre essa realidade de repulsa às suas pesquisas, principalmente no Brasil. O resultado precípuo mais negativo é a aversão aos trabalhos que ostentam o feminismo como epistemologia e ótica de analise, ou aqueles que de algum modo, através da geografia de gênero, visibilizem identidades de gênero e pluralidades sexuais não normativas na sociedade. No entanto, segundo (REIS, 2015) “A Geografia enquanto uma ciência que analisa a organização e produção do espaço pode e deve ampliar suas reflexões sobre as relações de gênero, entendendo-as como parte das práticas espaciais que permite desvendar a base da organização geográfica das sociedades”. O espaço geográfico é conceito analítico da geografia, enquanto território, lugar, região e paisagem, são categorias legitimadas do espaço. O espaço como lócus de análise de uma dada realidade, dentro da perspectiva geográfica, tem como sistema vital acompanhar as transmutações humanas e da natureza. Isto porque, o espaço é produzido pela organização das sociedades, que são baseadas em desigualdades, sejam de gênero, étnicas, econômicas e, outrossim, sociais. “Estaria essencialmente vinculado com a reprodução das relações (sociais) de produção” LEFÉBVRE, Henri (1976). Tendo em vista as muitas transformações sociais e sociáveis, além do surgimento de novas identidades de gênero e diversidades sexuais, que se apresentam atualmente com maior liberdade no palco da sociedade, é impreterível acompanhar as transfigurações que remontam os papeis sociais, as novas configurações constitucionais ou como muito se vê as reações misóginas e violentas com sujeitas e sujeitos que possuem características diversificadas do que se entende quanto “normatividade” de gênero e de identidade sexual. Esses fatos sociais produzem o espaço geográfico, criando formas espaciais através do acesso (imobilidade de acesso) nos espaços públicos pelas sujeitas e pelos sujeitos invizibilizadas/os da sociedade. E segundo CORRÊA, Lobato Roberto (2012) “Não há, assim, por que falar em sociedade e espaço como se fossem coisas separadas que nós reuniríamos a posteriori, mas sim de formação sócio-espacial”. Sendo assim, a organização espacial e as estruturas sociais são pertinentes no entendimento da necessidade de estudar as questões de gênero na geografia, na medida em que a geografia tem como principio o estudo do espaço geográfico que é produzido e organizado socialmente com base na materialidade social histórica que segue as hierarquias de poder entre gênero, classe e etnia. A vida pautada nos papéis de gênero definidos pelo patriarcalismo e na sexualidade heteronormativa como um padrões únicos de comportamento social e sexual, gerou uma conjuntura de disputas de poder, onde os feminismos e os movimentos sociais LGBT’s surgem na tentativa de romper com as ditas normas da sociedade, ou seja, a moralidade instituída pela vivencia humana influenciada por uma série de fatos sociais, chegando ao ponto de sobrepor a ética constitucional e a lei universal dos direitos humanos. Na tentativa da ciência acompanhar essas mutações libertárias e as tantas expressões ideológicas que orientam as sujeitas e os sujeitos nas novas perspectivas de modelos de vida, emergem os estudos de gênero e os feminismos científicos com o intuito de propiciar contornos técnicos e sensíveis às particularidades de gênero e das sexualidades, na luta pela liberdade e pela igualdade. Contudo, rigorosamente “o meio acadêmico tentar obstruir as pesquisas sobre gênero na geografia”. SILVA, Joceli Maria (2011), justamente passa a ser preciso produzir conhecimento sobre esses temas para que através da sapiência a respeito do que vem a ser a presença dos estudos de gênero e feminismos na geografia, seja possível romper com o preconceito representado na tentativa de bloqueio dessas pesquisas, que buscam, através da conferencia e publicação de dados relevantes, informar e gerar uma assessoria técnica para as sujeitas e sujeitos invizibilizadas/os. É por isso que: “criar conhecimento sobre gênero na academia é como promover a democracia nas instituições, observando as desigualdades de gênero que permeiam a estrutura social.” SILVA, Joceli Maria (2011). Além de, sobremaneira, acompanhar a realidade social que é permanentemente, mutável e plural. Para alcançar os objetivos propostos e propiciar respostas para os diversos encucamentos aqui manifestados sobre as injustiças percebidas na sociedade e no meio acadêmico, pretende-se adentrar o mundo literário da geografia de gênero e da geografia feminista, com o desígnio de entender tais ideologias como possibilidade de escolha epistemológica, isto é, ao apresentar as teorias do conhecimento sobre estes ramos da geografia, que inclusive não são exclusivamente da geografia e nem surgem apenas na geografia. Segundo MORAES, Antonio Carlos Robert (2005), “a ideologia seria a ciência da gênese das ideias, cujos resultados serviriam para um melhor ordenamento da vida social”. E apesar de serem rejeitadas no meio acadêmico, elas norteiam as organizações políticas. Nesta perspectiva, é notável a existência de diversas possibilidades de caracterizar estes estudos, atraindo a necessidade de organização de pensamentos e conceitos a respeito deles, onde o feminismo é, ao mesmo tempo, ideologia, movimento social e epistemologia. Cada uma dessas categorias serão apresentadas no trabalho completo. A forma de se fazer o presente apuramento, através do estudo das literaturas principais, caracteriza o trabalho como uma pesquisa de gabinete, onde se produz um conhecimento teórico com o intuito de auxiliar autores subsequentes e aquecer as discussões atuais na geografia e nas ciências sociais.

Bibliografia

Geografia: conceitos e temas/ organizado por Iná Elias de Castro, Paulo Cesar da Costa Gomes, Roberto Lobato Corrêa. -15° ed. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. 352p.

LEFEBVRE, Henri. Espacio y política; el derecho a la ciudad, II. 1976.

MORAES, Antonio Carlos Robert. Ideologias geográficas. Annablume, 2005.

SILVA, Joseli Maria; DA SILVA, Augusto Cesar Pinheiro. Espaço, gênero e poder: conectando fronteiras. Todapalavra Editora, 2011.




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* Wermelinger Lemes Aguiar
Faculdade de Formação de Professores . Universidade do Estado do Río de Janeiro - FFP/UERJ. São Gonçalo- Rio de Janeiro, Brasil