Esta proposta tem por objetivo discutir a centralidade dos processos de justificação dos indivíduos diante das políticas públicas, numa tentativa de superar a compreensão de oposição entre o individual e o social. Compreender a articulação entre sociedade e os indivíduos é tarefa posta pelas ciências sociais, desde as teorias sociológicas clássicas que se ocuparam em compreender as sociedades modernas ora numa perspectiva macro, cuja ênfase é delegada à estrutura social, ora na perspectiva micro, com foco no agenciamento e na ação. Esses modelos de análise se apresentam no pensamento social como possibilidade de interpretar a sociedade: a análise da estrutura social no pensamento de Karl Marx tem por objetivo desvelar as estruturas que dominam o todo social; na proposta de compreensão da ação social de Marx Weber a ideia é trabalhar a hermenêutica da ação do indivíduo e suas contribuições para a formação da cultura. A construção teórico-metodológica da sociologia de Émile Durkheim se apresenta como esforço orientado para aplicação de um método essencialmente sociológico voltado para o social como algo absoluto que tem sua materialidade e se impõe sobre os indivíduos. Superado esses momentos, as atenções se voltam à pauta das análises orientadas pela articulação entre os níveis micro e macro numa tentativa de alargar a noção do que se entende por social. Nesse sentido, a teoria do ator-rede delineada por Bruno Latour questiona de início, a ideia do social como algo dado materialmente e que possibilita uma “explicação social” para diferentes estados de coisas. Nesse raciocínio, o social deve ser visto de forma dinâmica pelo exame minucioso do conteúdo que se agrega sob a proteção de sociedade, associando e reassociando conexões e estabelecendo relações que incluem humanos e não humanos, apontando para as incertezas da natureza do social. O que está em pauta é a redefinição de disciplina científica socio-logia (ciência do social). Para Latour, o social parece ter-se diluído por toda parte e por nenhuma parte em particular “nem ciência nem sociedade permaneceram estáveis para fortalecer a socio – logia”. Daí a necessidade de modificações tanto no objeto quanto na metodologia das ciências sociais. Estabelecendo a diferença entre sociologia do social e sociologia da associação, Latour não despreza as contribuições tradicionais da sociologia, antes, considera os agregados sociais como algo a ser explicado por associações específicas fornecidas por elementos variáveis que se reúnem em circunstância determinadas. Numa tentativa de ampliação desse sentido do social, o movimento de associação e redesenho das conexões consideram os vínculos entre elementos não sociais por natureza, a ponto de reputar o poder de agência a objetos não humanos, do mesmo modo, consideram que esses vínculos se proliferam, flutuam e tomam contornos incertos favorecendo novas combinações de agregados. Assim, a teoria ator-rede postula que a ordem social é elaboração dos atores dotados da capacidade de produzir suas próprias teorias sobre a constituição do social, e não somente do cientista social. A ideia é substituir a sociedade por coletivo de forma a enfatizar a diferença onde se origina o indivíduo singular, dispondo as controvérsias sobre associações sem restringir o social a um domínio específico e não limitar os seres existentes no mundo social. A esse respeito, Luc Boltanski trata da sociologia da crítica dos atores ancorada na normatividade da vida social. Essa crítica é orientada por uma metafísica moral em que o agir das pessoas é assentado em estratégias sob as quais se expressam a competência de justiça. Na perspectiva pragmatista da análise das disputas ancoradas na normatividade, o foco de análise se situa na crítica elaborada pelo ator a partir das controvérsias resultantes das situações de disputa nas quais os sujeitos não recorrem à violência física, mas à justificação que emerge diante de perturbações. Neste sentido, algumas categorias de análise como a economia das escalas de grandeza, a ideia da metafísica moral inspirada na filosofia e denominada de cités são categorias importantes para compreender aquilo que o ator atribui como competência do justo e o submete às provas de justificação. Entendido dessa forma, no regime de escolarização o ator testa a efetividade social da política como meio de balizar sua utilidade. Pensar o individual e o coletivo em contexto de política pública é uma exigência que se traduz pela necessidade posta na contemporaneidade no sentido de articular os conhecimentos produzidos no âmbito da ciência, tecnologia, cultura e no mundo do trabalho que possibilitam situar o indivíduo no mundo. Outrossim, a formação de sujeitos responsáveis por suas ações exprime a garantia das atividades humanas no sentido de atender às necessidades vitais assegurando a existência das gerações futuras. É pensar em sujeitos críticos da sua posição no mundo e orientados por valores democráticos, de equidade social e respeito pela diversidade cultural, multiplicidade de linguagens, variedade linguística e formas de comunicação que encontram sentido a partir da interação social. A metodologia desta proposta está assentada numa pesquisa bibliográfica sobre as produções teóricas das sociologias pragmatistas referente à objetivação da crítica dos atores, em relação aos mecanismos e dinâmicas que sustentam a ordem social.