Na última década, é possível perceber na agenda política das novas democracias grande preocupação com o combate às desigualdades e às injustiças sociais. Estes países conjugam aspectos de países desenvolvidos em termos econômicos, e está se tornando forte protagonista em negociações, tentando, e conseguindo muitas vezes, ser influente ao formar uma aliança de cooperação perante as instituições internacionais. Porém, mesmo sendo considerada democracia emergente, ainda apresenta um passivo de pobreza, miséria, e alto índice de desigualdades sociais e econômicas.
Considerando o pano de fundo teórico o contexto europeu dos anos 1930 em diante, discute-se estruturação do welfare state pelos partidos social-democratas que surgiram como alternativa reformista de mudança social por meio da democracia representativa. Até o início do século XX, os ideários marxistas e a opção pela revolução como forma de promover a ruptura com o sistema capitalista ainda apresentava-se como ideologia concorrente. A representação democrática dos diversos grupos sociais, juntamente, com as políticas de seguridade social, edificou um sistema político e social baseado na igualdade e na solidariedade social.
Esse trabalho parte do pressuposto de que os países com grandes carências de direitos étnicos, de renda, educacionais, sociais, políticos, regionais, como Brasil, Áfrico do Sul e alguns países da América Latina enfrentam esses problemas com outros tipos de soluções que se diferenciam dos modelos clássicos de Estado de bem-estar. A posição defendida é a construção de um Estado de proteção social que implementa políticas sociais visando ao bem-estar social e não ao “bem-estar” mais global no sentido de compreender outros aspectos da vida do cidadão. As políticas de bem-estar social, por sua vez, estão relacionadas a um sistema de seguridade social, especificamente, à vertente da assistência social. A ramificação da assistência social tem sido fortalecida, e sua visibilidade foi alcançada pela institucionalização da assistência Social que concedeu à assistência social o status de política pública.
Primordialmente a partir dos anos 2000, é possível perceber maior visibilidade e enrubescimento dos programas e políticas de combate à pobreza, de redução das desigualdades e das injustiças sociais. O Estado brasileiro constituiu seu sistema de seguridade social no início do século XX, de modo a corresponder a demandas trabalhistas internas, inflamadas pelo desenvolvimento capitalista industrial. No entanto, somente no século XXI este processo foi marcado pela visibilidade imediata das políticas sociais. Diante de uma realidade marcada pela fragmentação e exclusão sociais, esses países respondem aos seus desafios internos pelo fortalecimento do Estado de proteção social.
O Estado de proteção social pressupõe uma rede de proteção social capaz de atender à população de um país em seus condicionantes sociais pela via da assistência social. Ao longo do século XXI, as políticas sociais de transferência de renda e de ação afirmativa ascenderam como uma forma de combater as iniquidades sociais características de países com histórico de desenvolvimento social e econômico marcado por segregação social, e racial, e por concentração de renda em uma pequena parcela da população local.
Sendo assim, esse trabalho parte da hipótese de que essas novas democracias promovem políticas de bem-estar social que fogem aos clássicos modelos dos países social-democratas. Considerando que os estudos sobre o welfare state concentram-se em países chamados industrializados, dificilmente encontram-se estudos consistentes sobre sua discussão em países periféricos. Correspondendo aos desafios internos de superação de um legado de injustiças sociais, institucionaliza-se a assistência social, concentrada nos programas de transferência de renda, como o principal canal de combate à pobreza. Assim, o fortalecimento do Estado de proteção social marca a forma de fazer política social nos países analisados neste século XXI.