O estereótipo da mulher latino-americana na perspectiva norte-americana geralmente é voltada a uma sexualização de seu corpo e inferiorização social. Em um primeiro momento podemos analisar isso através da indústria cinematográfica estado unidense que retrata a latinidade feminina na mulher lasciva, erótica e de linguajar chulo. Mesmo quando no papel de empregada doméstica ou babá é retratada como uma mulher de meia idade religiosa ou como a mulher sensual de rosto maquiado, salto alto e roupas apertadas. Existe uma clara fetichização do corpo da mulher latina que a marginaliza na esfera pública. Essa fetichização sai de um espectro micro na sociedade e alcança um espectro macro na indústria pornográfica onde a mulher latina é um dos principais perfis buscados. Trataremos aqui da relação da identidade da mulher latina e sua objetificação na indústria pornográfica norte-americana. Embora, saibamos que esse estereótipo latino americano não se limite aos Estados Unidos, a indústria pornográfica norte americana move bilhões por ano com uma alta produtividade de mais de 10.000 vídeos por dia - considerando que não é calculado o lucro com os vídeos da deep web. Por outro lado, isso constata que há uma larga demanda pelos produtos pornográficos que desconsidera a origem do material consumido e que reforça essa a estereotipização de certas etnias. Muitas mulheres latinas acabam por serem traficadas para trabalharem na indústria do sexo, bem como, muitas migram em busca de oportunidades melhores e são levadas a trabalhar na indústria na qual são consideradas com mero produto comercial. O status ilegal da maioria dessas mulheres leva que aceitem ou sejam forçadas a situações degradantes que as colocam em risco de sofrerem violência tanto sexual como psicológica e problemas de saúde a curto e longo prazo. Nenhuma lei as protege, não há política pública que as beneficie. Há uma marginalização que as limita e uma sociedade que as enxerga como a mulher puta. Essa caracterização do personagem que passa das telas e é levada para sociedade inferioriza a posição social da mulher latino americana. Mas como surge essa identidade construída? O que torna a mulher latina um objeto sexual, um fetiche? Dentro das próprias sociedades latinas ainda impera uma patriarcalismo social que beneficia essa estrutura de exploração sexual no exterior. Uma estrutura normativa masculina que delimita o papel da mulher latina na esfera pública. Muitas das mulheres que são traficadas que acabam por trabalhar na indústria pornográfica norte-americana saem de contextos de violência doméstica ou em busca de oportunidades econômicas melhores, geralmente com objetivo de sustentar suas famílias. Para compreender melhor como a América Latina participa dessa construção da identidade sexual da mulher latina iremos analisar a identidade da mulher colombiana e brasileira como atores civis limitados pela esfera privada. E como estas mulheres são percebidas dentro de seu próprio território. A Colômbia é um dos expoentes do marianismo que enfatiza o papel da mulher como uma representação dos valores da Virgem Maria, determinando que a mulher é inferior ao homem e a ele deve obediência, o que a restringe a uma esfera privada na qual também não é livre. Esse papel estático e de subordinação limita suas oportunidades econômicas e também condena a mulher que não se encontra dentro deste padrão, criando a identidade da “puta”. No caso do Brasil, vê-se um processo inverso, a mulher é sexualizada abertamente na sociedade, porém também condenada por essa sexualização. Podemos analisar no caso brasileiro os comerciais de cerveja - principalmente de meia década atrás- que objetifica a mulher abertamente em rede nacional. Utilizaremos três níveis de análise - o do indivíduo, o da relação com o Estado a qual pertence, e a do externo onde é refletido e ampliado o estereótipo. A metodologia que iremos utilizar é análise de conteúdo e de discurso sobre a indústria pornográfica norte-americana e os dois estudos de caso. A pesquisa é descritiva e o método dedutivo.