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Resumen de ponencia
A ROSA DOS VENTOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL: LUGARES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ E SUAS CONTRIBUIÇÕES NA FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS E PRÁTICAS COM ESSE VIÉS

*José Maclecio De Sousa



Tracejei este trabalho aprimorando rascunhos e maneiras de estudar lugares de educação ambiental na Universidade Federal do Ceará (UFC) a partir do desejo de conhecer experiências diversas com esse viés e os contributos que delas ressoam na e através dessa universidade. Como perguntas geradoras da pesquisa me guiei em saber quais e como são as experiências de educação ambiental da UFC, já que a educação ambiental é um campo de atuação demarcado pela multiplicidade de noções, práticas e tensões políticas, conformando polissêmicas concepções e formas. A esse respeito Sato e Carvalho (2008, p.12) mencionam que nos deparamos com uma cartografia de desafios epistemológicos e metodológicos que caracterizam o território da pesquisa e do fazer educação ambiental, sinalizando tratar-se de “de navegar em um território
instável”. Assim encampei o desafio de identificar e mapear lugares de educação ambiental dessa Universidade, dedicando atenção às práticas, noções e contribuições que desenvolvem, para assim tecer e dispor de uma cartografia da educação ambiental da UFC. Nesse sentido, corporificando princípios dialógicos (FREIRE, 1986; 1987; 1989; 1992) e decolonializantes na ciência (MIGNOLO, 2008; QUIJANO, 2005; SANTOS, 2006; WALSH, 2008), decidi pela experienciação de um trabalho de campo em que o método de pesquisa se desenrolasse como jornada metodológica, vivenciando andanças pelos lugares identificados e consolidando momentos de entrevistas individual, roda de conversa, vivência na experiência pesquisada, observações e conversas. Desse modo, mapeei diversos lugares de educação ambiental da UFC e estabeleci aproximações dialógicas com os integrantes das respectivas experiências (estudantes, funcionários e professores da universidade). O itinerário realizado ajudou a enfatizar os espaços da UFC que produzem contribuições importantes de educação ambiental: o
Borboletário Didático, a Divisão de Gestão Ambiental (DGA), o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Ambiental Dialógica, Educação Intercultural, Educação e Cultura Popular (GEAD), o Grupo de Estudos e Práticas em Permacultura (GEPPe), o Laboratório de Geoecologia da Paisagem e Planejamento Ambiental (Lageplan), o Laboratório de Pesquisa em Psicologia Ambiental (LOCUS), o Núcleo Trabalho, Meio Ambiente e Saúde (Núcleo TRAMAS), o Núcleo de Vivências e Estudos Natureza e Sociedade (NuVENS), o Programa de Educação Tutorial (PET) biologia e o seu Grupo de Estudos em Educação Ambiental (GEEDUCA), o PET Conexões de Saberes engenharia ambiental, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência Educação Ambiental (PIBID EA), o Programa de Eficiência Energética (Procen), o Programa de Gestão, Estudos e Pesquisas Ambientais (Progepa), o Programa de Gerenciamento de Resíduos (Progere), o Programa Mangue Vivo,
o Projeto Açude Vivo e sua Casa Verde, e o Programa Verde Luz. Após análise e reflexão desse processo, mais que o mapa dos lugares de educação ambiental na UFC, trago como resultado uma cartografia da educação ambiental da universidade, uma vez que as experiências que decorrem desses lugares produzem diversas noções de educação ambiental que confluem e evocam quatro grandes direções temáticas: 1) a educação ambiental na gestão ambiental; 2) a educação ambiental como projeto educativo; 3) a educação ambiental diante de problemas e conflitos ambientais; e, 4) a educação ambiental em práticas e atividades de vivência. É importante considerar que as formas concretas e diversas de realizar educação ambiental na e partir da universidade indicam a importância da dialogicidade e do delineamento de uma ecologia de saberes com e entre esses lugares, como forma de delinear contributos potentes para o campo da educação ambiental. Por isso, no debate epistemológico dedico atenção às diferenças que as experiências mapeadas revelam em termos de complementariedade, apesar das suas distintas disposições políticas, as incorporando como ecologia de saberes (SANTOS; MENESES; NUNES, 2006), sem que sobre elas recaiam rotulações e enquadramentos teóricos que as dispunham em um sistema hierárquico, que pode surgir quando consideramos uma experiência superior a outra ou quando as conceituações teóricas invisibilizam ou inferiorizam o modo como as pessoas vivenciam na prática dos seus saberes. Desse modo, após análise e reflexão desse processo, além do mapa dos lugares de educação ambiental na UFC, trago como resultado uma cartografia da educação ambiental da universidade pesquisada, tecida a partir da identificação, visibilização e valorização da diversidade de compreensões e ações de educação ambiental que corroboram os diferentes lugares que a realizam na relação potencializadora que podem ter com as teorias sobre educação ambiental. Interpretados de maneira dialógica e horizontalizada, possibilitam a visibilização de problemáticas e perspectivas importantes para o avançar e fortalecimento da visão complexa da questão ambiental. Nesse viés, os lugares tanto tem o papel de ilustrar formas concretas de realizar a educação ambiental em algumas desses rumos, como também de evidenciar situações-limites e forças motrizes de superação das mesmas, que retroalimentam recursivamente as temáticas tratadas, podendo inclusive transformá-las em direção ao inédito viável.




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* Sousa
Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Ambiental Dialógica, Educação Intercultural, Educação e Cultura Popular GEAD UFC. Fortaleza, Brasil