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Resumen de ponencia
Educação Física e Educação Profissional e Tecnológica no cenário brasileiro: contribuições e reflexões.

*Jomar Borges Dos Santos



A Educação Profissional no Brasil alcançou um patamar importante na última década. Ao mesmo tempo em que a Rede Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica alcançou o seu centenário, vimos a implementação dos Institutos Federais, representando o processo de consolidação da Rede. Nesse contexto, o papel da Educação Física na Educação Profissional ainda merece atenção particularmente, já que, embora a relação entre a Educação Física (EF) e a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) remonte ao início da rede de Educação Profissional e Tecnológica no Brasil, ainda são poucos os estudos que se debruçaram sobre o histórico da Educação Física na Educação Profissional e Tecnológica no Brasil ou sobre as possibilidades e potencialidades político-pedagógicas da Educação Física na EPT.
No que diz respeito à legislação educacional brasileira, somente em 1926 foi construída uma normatização curricular para a EPT. Com isso, a organização normativo-curricular ficava a cargo dos diretores de cada instituição, o que fez com que a Educação Física que se expressa EPT ficasse influenciada pelas determinações curriculares mais gerais, com a mesma perspectiva da Educação Física do ensino propedêutico. A primeira legislação que fez referência à Educação Física na EPT diretamente data de 1926, com a instituição da Portaria de Consolidação dos Dispositivos Concernentes as Escolas de Aprendizes e Artífices. Com a Consolidação, foi adotada a criação de um currículo único nas Escolas de Aprendizes e Artífices, ficando estas com o mesmo currículo que era ofertado em algumas escolas, ou seja, um currículo genérico em relação à Educação Física, sem as devidas particularidades em relação à Educação Profissional e Tecnológica, passou a integrar a proposta de formação da EPT e vigorar nas escolas da Rede de Educação Profissional.
As perspectivas teórico-metodológicas que hegemonizam o projeto de formação para a Educação Profissional e Tecnológica no Brasil são voltadas para atender as demandas do capital e constituem um projeto de formação com perspectiva unilateral, o que limita o desenvolvimento e a autonomia dos indivíduos. Assim, levantamos a seguinte questão: de que forma o resgate das bases e fundamentos da Escola do Trabalho associado a perspectiva de Educação Física fundamentada na Cultura Corporal, pode contribuir para a construção de uma Educação Física alinhada a perspectiva politécnica na Educação Profissional e Tecnológica. É com foco nesse elemento que tomamos como base a perspectiva politécnica e a corrente crítico-superadora, visando contribuir para um projeto formativo da Educação Física na Educação Profissional que seja voltada para formação humana integral e não para as demandas do capital. Partimos do pressuposto que. Enquanto concepção de formação, a perspectiva da formação politécnica na Educação Profissional e Tecnológica existe no plano ideal, não está refletida teoricamente e praticamente na EPT. As abordagens da Educação Física que acontece no chão da escola, mais especificamente nas escolas profissionais e tecnológicas, não apresentam identificação com proposta de formação proposta na EPT.
Assim, este texto discute a construção de materiais didáticos para a Educação Física na Educação Profissional e Tecnológica. Serão apresentadas ao longo do texto uma síntese das contribuições inerentes à perspectiva politécnica e à corrente crítico-superadora na Educação Física. Para a construção de uma análise mais complexa e concreta, mesmo em um artigo, serão tomados como base o âmbito do Instituto Federal do Paraná – IFPR e alguns documentos desse Instituto, tais como: Projeto Político Pedagógico (PPP), Projeto Pedagógico de Curso (PPC) e Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). Por fim, uma reflexão acerca dos materiais de apoio no campo da Educação Física no IFPR será realizada, tendo como base a corrente crítico-superadora. Dessa maneira, este artigo busca contribuir para qualificar a discussão sobre a relação entre Educação Física e Educação profissional, ainda escassa no Brasil, bem como apontar a importância da Educação Física na Educação Profissional, com base na perspectiva politécnica.




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* Santos
Instituto Federal do Paraná IFPR. Curitiba, Brasil