Este estudo, de natureza teórica, apresenta como objetivo central apreender sob quais fundamentos e condições sócio históricas se deu o processo de constituição das ciências sociais no Brasil, tomando como referência teórico-analítica fundamental as análises de Fernandes (1976a, 1976b 1989a, 1989b, 1995, 2006), sobretudo no que ao modo como o capitalismo se realiza historicamente nas economias periféricas, que trazem na base do processo histórico-social de sua formação a colonização operada de forma sistemática para expansão da civilização ocidental, o que determinou que essas nações restassem incorporadas de maneira dependente ao cenário socioeconômico, cultural e político das nações hegemônicas centrais. Realizou-se, num primeiro momento, a recuperação histórica dos caracteres estruturais e históricos que fundam o desenvolvimento capitalista dependente nos países periféricos latino-americanos, com foco no Brasil, relacionando-os aos padrões evolutivos do capitalismo mundial, intrinsecamente conectados com padrões de dominação aos quais estas nações foram reiteradamente submetidas. Neste sentido, procuramos estabelecer conexões e inter-relações com o processo singular de formação da sociedade brasileira, que culminou com a Revolução Burguesa no país, um tipo de revolução com características muito específicas, e representa um processo histórico que indica um conjunto de transformações econômicas, sociais, psicoculturais e políticas que se realizam em sua plenitude a partir do momento que o capitalismo atinge um patamar histórico irreversível em sua evolução industrial, momento que representa a consolidação do poder burguês e da dominação burguesa no Brasil. A partir da reconstrução histórica empreendida absorve-se que a convergência de interesses burgueses internos e externos, que difundiam-se e orientavam-se retroalimentação de seus interesses, fazia dessa dominação uma fonte de estabilidade econômica e política, vista como um componente fundamental para o tipo de crescimento econômico pretendido por ambos e para o estilo de vida colocado em prática pelas elites, que serviam, por sua vez, de suporte ao padrão corrente de estabilidade política-econômica. Num segundo momento, retomam-se as particularidades da Revolução Burguesa no Brasil, compreendida como processo histórico que supõe um conjunto de transformações econômicas, sociais, psicoculturais e políticas que se realizam em sua plenitude quando o desenvolvimento do capitalismo atinge um patamar histórico irreversível em sua evolução industrial, momento que indica, por outro lado, a solidificação do poder burguês e da dominação burguesa no Brasil. A partir da reconstrução histórica empreendida absorveu-se que a convergência de interesses burgueses internos e externos, que difundiram-se e orientaram-se na retroalimentação contínua de seus interesses, fez dessa dominação uma fonte de estabilidade econômica e política, vista como um componente fundamental para o tipo de crescimento econômico pretendido por ambos e para o estilo de vida colocado em prática pelas elites, que serviam, por sua vez, de suporte ao padrão corrente de estabilidade político-econômica. Para se perpetuar, a dominação burguesa se vinculava a procedimentos autocráticos, transferidos do passado ou remodelados no presente, e se isentava da formação de procedimentos democráticos alternativos, que existindo na formalidade eram socialmente inoperantes. Neste sentido, a modernização da sociedade brasileira, sempre orientada pelos princípios da dominação burguesa convergiu-se, invariavelmente, para que as elites atingissem fins econômicos vantajosos aos seus interesses individualizantes, e não direcionada pela ideia de revolucionar a nação como um todo. Na esteira da reconstrução dos processos históricos fundados na condição de desenvolvimento dependente, constituída nas bases da processualidade histórica brasileira, tem-se que as instituições sociais importaram padrões ibéricos de funcionamento e organização. Neste sentido, o própria surgimento das universidades e o sentido atribuído a educação superior no país sofre as inferências deste processo. Sob a condição dependente, a universidade tem seu desenvolvimento atrelado às necessidades sociais comandadas pela lógica da dominação burguesa, processo que reproduz de maneiras distintas na dinâmica histórico-social brasileira. Tem-se, assim, que o processo de constituição das ciências sociais no Brasil se relaciona aos determinantes gerais de desenvolvimento dependente, mediado pelas suas incidências na instituição universitária, e no conjunto das requisições sociais e limitações impostos pela condição dependente.