Print Friendly and PDF



Resumen de ponencia
A “NOVA” CARA DO CONSERVADORISMO DO BRASIL: contextos, facetas e dinâmica de adaptação da nova geração conservadora

*Vilson Medina



Esta pesquisa está sendo realizada como parte do processo de obtenção do título de Mestre em Sociologia, junto ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em relação à #CLACSO2018 busca contribuir, principalmente, no debate sobre o campo temático derechas y movimientos conservadores, adotando a perspectiva de um estudante que analisa acontecimentos da história brasileira – alguns muito recentes, outros nem tanto.
O objetivo da pesquisa é interpretar sociologicamente o perfil utópico/ideológico do movimento social conservador atual no Brasil, movimento que obteve maior destaque a partir dos anos 2000. Para produzir essa interpretação é necessário investigar a disposição submersa concentrada em determinados estamentos sociais e sua correspondência à dinâmica da dialética no processo de transformação social. Embora faça usos pontuais da abordagem institucional, essa não é predominante no estudo. A investigação adota a abordagem histórico-sociológica e configuracional sobre o fenômeno social na tentativa de esclarecê-lo por meio de uma análise empírica em confronto com conhecimentos teóricos.
Quanto ao recorte temporal da pesquisa, vale registrar que não existe qualquer metodologia ou teoria que o defina previamente, pois rupturas, reminiscências e transmutações estão presentes em todo período histórico. No caso, foi definido um período em comparação a outros, distinguindo-os com base em fatores estruturais de ordem política, econômica ou cultural, tanto de âmbito nacional como internacional. Trata-se do Brasil antes e depois do ano de 1945 e antes e depois do ano de 2016.
Na primeira parte do estudo, é explorada a dimensão macro das transformações sociais experimentadas no país, as quais possuem forte correlação com o fenômeno de ascensão dos movimentos sociais reacionários e, principalmente, com o sentido desses movimentos. Evidenciar a dinâmica histórica de desenvolvimento socioeconômico e, em paralelo a isso, analisar a sua lisura político-constitucional com a pretensão de mostrar os laços entre as garantias (ou a falta de garantias) dessa lisura e a sustentação (ou a oscilação) dessa dinâmica. Para isso são trabalhados três conceitos sociológicos: processo civilizador, configuração social e esfera pública.
Pode-se afirmar que quando se garante a estabilidade democrática e a normalidade institucional ocorre um claro avanço no processo civilizador brasileiro, como aconteceu nos períodos compreendidos entre os anos de 1945 e 1964 e entre os anos de 1989 e 2016. O avanço do processo civilizador foi interrompido pelas rupturas sócio-políticas ocorridas em 1964 e em 2016, as quais promoveram retrocesso no sentido de restabelecer a ordem oligárquica, desrespeitando e desfazendo conquistas logradas durante o período de progresso social anteriormente experimentado.
Na segunda parte da pesquisa, a análise recai sobre o sentido e o objetivo das rupturas identificadas, de modo a demonstrar que nas articulações por parte de setores da sociedade, concentrados na oligarquia e no estamento médio, ressalvadas as peculiaridades de cada período histórico analisado, existe uma disposição conflitiva com relação às consequências inerentes a uma ordem moderna democrática como, por exemplo, o encurtamento da distância socioeconômica entre os estamentos.
Essa disposição conflitiva trata-se de um habitus ideológico correspondente a uma configuração social de ordem oligárquica e escravocrata, que promove constantemente um processo descivilizador cuja intensidade está de acordo com a dinâmica da dialética social de transformação. Esse processo ocorre objetivamente em ataques contra a estima e os direitos da base social, contra suas pautas e seus líderes, promovendo a ruptura da esfera pública.
Sendo assim, pode-se verificar que, pela perspectiva do estamento médio, esses conflitos são representados e disputados para além das consequências materiais da dinâmica da dialética de transformação social, em que pese não deixem de ter correspondência com os determinantes materiais. Todavia, o estamento médio atua via reinvindicações embasadas em honrarias e mesmo os apontamentos mais economicistas são embasados no discurso meritocrático, segundo o qual aqueles que ignoram esse princípio estão também violando a justiça e a moral de qualquer processo inclusivo.
A dissertação sustenta a hipótese de que os movimentos conservadores no Brasil possuem em geral três facetas, conforme as definições dadas por Mannheim, relacionadas ao contexto histórico. A primeira faceta é o liberalismo humanista de referencial moral que é, na verdade, algo que só aparece como alegoria, de forma superficial e distorcida, mas que não orienta as ações do grupo. A segunda trata-se de um desdobramento político do perfil ideológico conservador, o perfil administrativo, que é supostamente a base de apoio intelectual do movimento conservador. A terceira faceta também é um desdobramento político do perfil ideológico conservador, embora não seja representativo desse, podendo ser descrita como o perfil político fascista que orienta o comportamento e as estratégias usadas nas investidas do movimento.




......................

* Medina
Programa de Pos-Graduaçao em Sociologia. Instituto de Filosofia e Ciencias Humanas. Universidade Federal de Rio Grande do Sul - PPS/UFRGS. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil