O Sesc nas comunidades
O Serviço Social do Comércio (Sesc) é uma instituição brasileira criada pelos empresários do comércio de bens e serviços desde 1946 com a finalidade de atender às necessidades sociais urgentes. A sua área de atuação é a educação, a assistência, a saúde, a cultura e o lazer e com abrangência em todo o país, já que a instituição está localizada em todos os estados brasileiros. No entanto, a demanda social é grande e os frequentadores do Sesc tornaram-se fundamentalmente os cidadãos de uma maneira geral, e não exclusivamente os comerciários.
Nesse artigo, porém, iremos falar do surgimento do projeto Sesc Com Unidade, realizado no âmbito da Assistência em 2017 com a perspectiva do Desenvolvimento Comunitário que tem como característica inovadora a criação de ações sistemáticas e comunitárias fora das unidades do Sesc. Vamos nos ater à experiência no bairro de Jurumirim, Poconé, região pantaneira do Estado de Mato Grosso, Brasil. A cidade possui 32.241habitantes (IBGE/2017) e um território de 17 mil km² extensão, considerado a porta de entrada para o Pantanal Mato-Grossense.
O Sesc Com Unidade trata-se de um projeto que pretende contribuir de maneira significativa para a reflexão sobre o exercício da cidadania, podendo vir a ser algo muito consequente socialmente; se houver uma política voltada para o direito ao desenvolvimento por meio comunitário realizadas em um território vulnerável. Pretendemos elucidar o quanto a relação entre o território e sujeito não se encerra nela mesma, pois sempre pressupõe o compartilhamento com o outro. Por meio dessa relação, as noções de cidadania podem ser construídas, em alguns casos, e ratificadas em outros.
O bairro de Jurumirim foi escolhido por tratar-se de um dos locais mais pobres e de maior índice de violência da região.
O projeto Sesc Com Unidade consiste em criar uma articulação com os moradores do bairro por meio de suas instituições para a realização de um projeto de melhoria para o local. O propósito é estimular a autonomia dos moradores, reforçar a cidadania, criar espaços de empoderamento numa construção horizontal em que o poder é distribuído por meio de divisão de responsabilidades. Busca-se um ambiente não opressor de respiro criativo em que o Sesc é mais um agente social.
O projeto é executado intensamente em 12 meses junto aos moradores desses territórios, utilizando metodologia participativa os moradores/atores locais escolhem algo (ação, uma realização) que mobiliza e ativa as potencialidades do território. No caso apresentado a escolha foi revitalizar uma praça, os moradores que participaram da metodologia (mulheres e crianças/estudantes de uma escola municipal) viram na praça um local para onde todos convergem. É importante ressaltar que as ações a serem realizadas devem possuir caráter contínuo, por meio da formação de multiplicadores locais para a perpetuação dos conhecimentos construídos, bem como estimular o engajamento da comunidade nos mutirões a serem realizados para revitalização da praça. As ações devem promover o fortalecimento da comunidade a fim de contribuir para um legado do Sesc para o bairro.
O desafio inicial sempre é mobilizar o bairro para a criação de soluções mais criativas para problemas estruturantes. Então por meio de uma metodologia participativa realizamos um levantamento de informações fornecidas pelos próprios moradores quando fizemos um mapa afetivo do bairro para então pensarmos as ações de desenvolvimento comunitário mais eficazes. Esse projeto não deve ser absorvido integralmente pelo Sesc. Trata-se muito mais de uma metodologia que estimula as pessoas a acharem soluções para os seus problemas e participem dessas iniciativas solucionativas. Não há a pretensão de resolver todos os problemas, mas de encontrar as soluções de maneira criativa para, com isso, trabalharmos na potência de cada lugar, não na sua fragilidade.
A partir de um diagnóstico participativo realizado com alguns moradores construímos um projeto que tivesse como perspectiva a revitalização da praça que envolvesse uma equipe multidisciplinar no Sesc, lideranças comunitárias, instituições locais, mas sobretudo, que considerasse o desejo e a possibilidade de atuação de seus moradores. Compreender a praça como local potencialmente favorável à sensibilização dos moradores para fortalecer a rede de apoio/referência no bairro.