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Resumen de ponencia
CONFLITOS DO SOCIOAMBIENTALISMO DESDE AS MARGENS: as intermitências do desenvolvimento e da democracia na América Latina

*Dimas Floriani



1- As intermitências da modernidade periférica capitalista estão associadas de início ao desenvolvimentismo dependente, e mais recentemente ao capitalismo financeiro-rentista, de matriz neoliberal globalizada: ambos modelos incapazes de implementar políticas redistributivas e ecologicamente sustentáveis ;
2- requer-se de um esforço teórico e metodológico diferenciado na discussão sobre concepções de desenvolvimento, democracia e sustentabilidade socioecológica para superar os antigos paradigmas do pensamento segmentado pelo recorte da economia, da ciência política e da sociologia; um enfoque interdisciplinar sustentado por um diálogo intenso entre essas disciplinas, poderá abrir-se à novas epistemes integradoras;
3- o debate em torno de estratégias de desenvolvimento, ao sofrer mutações significativas com o sopro da (re)democratização no continente latino-americano e no Caribe, em meados dos anos 80, seguiu outro tipo de agenda, deslocando-se do domínio puramente econômico para as dimensões sociais, políticas e ambientais, das quais emergiram temas importantes tais como o caráter e alcance dos regimes democráticos, obstáculos e potencialidades de políticas redistributivas que fizessem face às crônicas desigualdades sociais. Da mesma maneira, a emergência dos problemas ambientais, especialmente a partir da Rio 92, promoveu um giro importante no debate até então limitado e monopolizado pela economia, para espraiar-se em direção da sustentabilidade, incorporando o tema socioambiental no horizonte desse debate;
4- a busca por soluções e alternativas ao desenvolvimento, em oposição à busca de alternativas de desenvolvimento, questiona os limites do núcleo duro do sistema hegemônico de mercado, incapaz de gerar soluções para uma imensa parcela da população destituída das condições básicas de vida, bem como de colocar a seu alcance o acesso ao planejamento de estratégias de bem-estar estáveis e duradouras. Se para tanto é necessário igualmente ressignificar o próprio sentido de desenvolvimento, por meio de novos conceitos e outras formas de concebê-lo, é pela ecologia das práticas e pela ecologia dos saberes que é possível estabelecer novas bases que operem desde as margens do sistema hegemônico. A grande pergunta que se pode fazer à busca por soluções, dentro dos limites históricos do desenvolvimento e de suas contradições ou então desde às margens do sistema, é se ambas possibilidades são antagônicas ou complementares;
5- pensar em alternativas ao desenvolvimento requer, portanto, não apenas conceber de outra forma mecanismos que permitam a uma organização social ser capaz de reproduzir-se materialmente, mas também engendrar instituições em que a gestão, as normas, e os valores que regem as estratégias de sociabilidade se desloquem do atual sistema de racionalidade capitalista para outras racionalidades que possibilitem sobrepor-se ou então a coexistirem com a atualmente vigente .
6- A pergunta complementar que segue a esse dilema é se há espaço possível para inventar uma transição que não desemboque em sistemas monopólicos e autoritários, tanto da economia como da política. Disto deriva a necessidade de investigar os limites do sistema político vinculado ao Estado periférico-dependente, indagando se é possível desenvolver e ampliar mecanismos democráticos que incorporem uma imensa população que se encontra à margem do processo dominante de mercado e do regime político sustentado por partidos políticos, em base à representação.
A partir desta abordagem, pretende-se alcançar os seguines objetivos:
- Identificar os fundamentos das principais concepções de desenvolvimento em suas diversas vertentes e da democracia no contexto histórico recente da América Latina, bem como suas crises e as consequentes críticas teórico-políticas por diferentes atores sociais, especialmente pelos subalternos.
- Identificar e sistematizar as principais teorias do desenvolvimento e suas diversas modalidades, as principais críticas advindas do socioambientalismo, tais como desenvolvimento sustentável, ecossociodesenvolvimento, pós-desenvolvimento e outras ainda.
- Fazer um inventário de algumas das principais teorias da democracia na América Latina, as principais críticas endereçadas aos limites e intermitências observadas, na perspectiva de atores sociais à margem dos sistemas tradicionais de representação política.
- Mapear algumas das organizações sociais e comunitárias que se colocam em conflito frente ao Estado e a outros agentes do sistema produtivo, tais como o agronegócio e empresas extrativistas.
- Identificar e problematizar alguns dos mecanismos geradores do sistema de exclusão social e suas territorialidades (rurais, urbanas, costeiras, ecossistemas florestais, ribeirinhos, etc.).
- Mapear os principais conflitos derivados desse processo de exclusão social, a partir da constituição identitária e organizacional, a fim de construir uma tipologia capaz de evidenciar as formas de organização coletiva e os tipos de respostas que emergem dos conflitos.






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* Floriani
Universidade Federal do Paraná - Programa de Pós-graduação em Sociologia - UFPR/PPGSOCIO. Curitiba, Brasil